Temores sobre pacote e bancos na Europa derrubam mercados

As principais bolsas de valores do mundo registram nesta segunda-feira quedas significativas, refletindo as incertezas dos investidores quanto ao pacote aprovado nos Estados Unidos para ajudar o mercado financeiro e também novos sinais de que a crise econômica está se agravando na Europa. O índice Dow Jones, da Bolsa de Nova York, operou abaixo da marca dos 10 mil pontos pela primeira vez em quatro anos.

BBC Brasil |

Durante a manhã, hora local, tanto o Dow Jones como o Nasdaq registravam queda superior a 5%.

Segundo analistas, os investidores temem que o pacote aprovado na sexta-feira não tenha o impacto necessário para reverter a crise e também estão preocupados com a demora na sua implementação.

Em uma tentativa de dar segurança aos investidores, uma força-tarefa ligada à Casa Branca para lidar com o mercado financeiro divulgou um comunicado dizendo que está acelerando os preparativos para intervir no mercado, conforme o previsto no pacote.

O Fed (Federal Reserve, o banco central americano) também anunciou nesta segunda-feira que passará a pagar juros aos bancos pelas reservas que as instituições são obrigadas a depositar no Fed.

Em São Paulo, os negócios na bolsa foram interrompidos duas vezes durante as primeiras horas de pregão, depois de o índice Bovespa registrar queda de mais de 10%.

Europa
Na Europa, as principais bolsas de valores fecharam no vermelho nesta segunda-feira: em Londres, o FTSE fechou com queda de 7,85%; em Paris, o Cac recuou 9,04% (a maior queda de sua história) e, em Frankfurt, o Dax desabou 7,07%.

Para analistas, as baixas refletem, em parte, as notícias do fim de semana.

Na Alemanha, o governo anunciou um novo pacote de socorro, de 50 bilhões de euros, para ajudar o banco Hypo Real Estate, uma das mais importantes financiadoras imobiliárias da Europa.

Na semana passada, o Hypo Real Estate havia obtido 35 bilhões de euros do governo alemão e de outras instituições financeiras, mas, no sábado, as instituições desistiram do socorro.

Além disso, o banco francês BNP Paribas concordou em comprar 75% das operações do grupo Fortis na Bélgica e em Luxemburgo.

Em troca, os governos da Bélgica e de Luxemburgo passarão a ter uma participação acionária minoritária no BNP Paribas. O braço holandês do Fortis foi nacionalizado pelo governo da Holanda.

Depósitos
O governo alemão anunciou um "compromisso político" de garantir os depósitos em bancos do país, enquanto a Dinamarca passou a garantir todos os depósitos integralmente e a Suécia decidiu aumentar de forma substancial as quantias seguradas.

Na semana passada, os governos da Irlanda e da Grécia haviam anunciado que iriam garantir integralmente os depósitos, e cresce a pressão para que outros países, entre eles a Grã-Bretanha, adotem a mesma medida.

No sábado, em uma reunião em Paris, os governantes de França, Grã-Bretanha, Alemanha e Itália prometeram empenho para evitar quebras de bancos no continente.

Nesta segunda-feira, o primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, convocaram reuniões com os presidentes dos principais bancos de seus respectivos países para discutir a crise.

Fora da União Européia, a Islândia - um dos países mais afetados pela crise financeira, devido a peculiaridades de sua economia - decidiu suspender as vendas de ações de seis das suas maiores instituições financeiras, incluindo os seus três maiores bancos: o Kaupthing, o Landsbanki e o Glitnir (que foi beneficiado por uma operação de ajuda de cerca de US$ 900 milhões na semana passada).

Outros mercados
Na Ásia, o primeiro pregão após a aprovação do pacote nos Estados Unidos também não mostrou otimismo por parte dos investidores.

O índice Nikkei da Bolsa de Tóquio fechou o dia em queda de 4,2% - o menor índice registrado em quatro anos.

O índice Hang Seng de Hong Kong recuou 3,4%, e os mercados na China, Austrália e Índia também caíram.

Na Indonésia, o índice da maior bolsa do país se despediu da segunda-feira com baixa de 10%, a maior queda de sua história.

Como no Brasil, a bolsa de valores de Moscou foi paralisada por causa das quedas. O índice RTS encerrou o dia com perdas de 19,1%.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG