Temores de recessão mantêm Bolsas em queda

Os mercados na Europa operam em ritmo volátil na manhã desta quinta-feira, caindo depois de abrir em alta. O índice FTSE-100 estava em alta de 0,47% uma hora depois da abertura do pregão.

BBC Brasil |

Mas pelas 10h30 da manhã (07h30 em Brasília), o índice estava em baixa de 0,86%.

Espera-se nesta quinta-feira a divulgação de dados sobre a venda no varejo na Grã-Bretanha.

O índice CAC-40, da bolsa francesa, caía em 0,80% e o Dax, de Frankfurt, em 1,89%.

A atual tendência de queda segue o comportamento das bolsas na Ásia, onde os temores de que a crise financeira esteja levando o mundo para uma recessão continuam preocupando investidores.

Em Tóquio, índice Nikkei fechou em baixa de 2,5%, apresentando uma recuperção depois de ter chegado a 7% negativos durante as operações, refletindo temores de que uma redução das exportações japonesas possa acelerar a chegada da recessão no país. A venda de veículos para os Estados Unidos, sinal de redução da demanda dos consumidores na maior economia do mundo.

O índice Kospi, da bolsa sul-coreana, caiu 7,4% - a queda mais baixa desde julho de 2005. Até agora, a bolsa coreana perdeu cerca de 45% no ano.

Em Hong Kong, o índice Hang Seng fechou em queda de 3,6%, registrando as maiores baixas desde abril de 2005.

A queda nas bolsas da Ásia e Oceania é seguida de mais um dia de tensões do outro lado do planeta.

Em Nova York, o índice Dow Jones fechou a quarta-feira em baixa de 5,7%, em 8.519 pontos, enquanto a bolsa eletrônica Nasdaq registrou uma queda ligeiramente menor, de 4,8%.

Segundo o analista da BBC Andrew Walker, as quedas agora não refletem tanto o temor imediato de mais quebras no setor bancário, como ocorreu nas últimas semanas, mas sim a preocupação dos investidores com a possibilidade de recessão em diversos países.

Informações de que o Yahoo e a empresa farmacêutica Merck estão cortando postos de emprego aumentaram ainda mais a tensão nos mercados.

Encontro do G20

Na quarta-feira, a Casa Branca anunciou que será realizada em Washington, no dia 15 de novembro, uma reunião de cúpula para discutir a economia global, com a presença de líderes do G20, o grupo formado pelos principais países industrializados e em desenvolvimento.

O objetivo do encontro será analisar a atual crise financeira e formas de evitar que ela volte a ocorrer.

"Os líderes vão avaliar os avanços que estão sendo realizados", disse a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino.

Segundo Perino, os líderes vão "chegar a um acordo sobre um conjunto de princípios em comum para reformar os sistemas regulatórios e institucionais dos setores financeiros mundiais".

Além dos líderes dos países do G20, inclusive do Brasil, o encontro deve ter a presença dos chefes do FMI e do Banco Mundial e do secretário-geral da ONU.

Antes do encontro em Washington, uma reunião de ministros das Finanças e presidentes dos bancos centrais dos países do G20 será realizada em São Paulo nos dias 8 e 9 de novembro.

Recessão na Grã-Bretanha

Na Grã-Bretanha, o primeiro-ministro Gordon Brown traçou um panorama sombrio da economia mundial em uma sessão no Parlamento.

"Precisamos tomar medidas sobre a recessão financeira global, que deve causar recessão nos Estados Unidos, na França, na Itália, na Alemanha, no Japão e, porque nenhum país pode se isolar disso, também na Grã-Bretanha", disse.

Os comentários de Brown ecoaram as declarações do presidente do Banco da Inglaterra, Mervyn King, que havia advertido na terça-feira que a Grã-Bretanha "provavelmente" está entrando em uma recessão - um fenômeno definido por economistas como dois trimestres consecutivos de crescimento econômico negativo.

Na sexta-feira, o governo britânico deve divulgar um novo balanço do PIB do país, que pode confirmar o prognóstico.

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