Temores de crise humanitária em Gaza e apelo a uma solução política

A preocupação é crescente nesta segunda-feira diante do risco de uma crise humanitária na Faixa de Gaza, após a ofensiva terrestre israelense, e os apelos por uma solução diplomática para o conflito se multiplicam no mundo.

AFP |

"A crise humanitária devido à violência atual em Gaza atinge primeiro as mulheres e as crianças", declarou a diretora regional da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), Sigrid Kaag, em entrevista à imprensa hoje em Amã.

"Atualmente, os jovens de Gaza são não apenas privados dos direitos humanos, dos quais qualquer ser humano deveria poder gozar, como também são privados dos direitos específicos das crianças", declarou a diretora do Unicef para o Oriente Médio.

Desde sexta-feira, o Programa Alimentar Mundial (PAM) vem denunciando uma situação "absurda" em Gaza, onde a ofensiva israelense já matou mais de 500 pessoas.

A ofensiva terrestre lançada na noite de sábado por Israel agravou a crise humanitária no minúsculo e superpopuloso território palestino, provocando cortes de eletricidade e de comunicações e uma grave escassez de produtos alimentares, segundo a agência da ONU.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) se declarou domingo "preocupado" com o aumento do número de vítimas civis e com a situação cada vez mais precária dos hospitais.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lamentou que o Conselho de Segurança da INU não tenha chegado a um acordo sobre o fim da ofensiva israelense e lançou um apelo à unidade para acabar com a crise no Oriente Médio.

Os EUA bloquearam, na reunião do conselho na noite de sábado, qualquer resolução que condenasse o aliado israelense.

Ban acrescentou que vai "trabalhar ativamente com membros do Conselho e de outros responsáveis chave, em particular dos dirigentes árabes" que encontrará nesta segunda-feira, para facilitar a obtenção de um de um consenso.

O presidente chinês, Hu Jintao, manifestou preocupação com a "crise humanitária" na Faixa de Gaza em conversa por telefone com o colega George W. Bush no domingo.

O Japão fez o mesmo, dizendo-se, por meio do porta-voz do governo, "muito preocupado com o destino dos civis da Faixa de Gaza".

O primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, considerou nesta segunda-feira "crucial para Israel respeitar suas obrigações humanitárias, previstas pelo direito internacional, e permitir acesso a bebidas e alimentos de base, além de assistência humanitária e médica, ao povo de Gaza.

O Canadá pediu à comunidade internacional que se reúna para enfrentar a situação humanitária, principalmente para garantir o acesso a alimentos, combustíveis e materiais médicos.

O chefe da diplomacia francesa, Bernard Kouchner, membro da 'troika' da União européia enviada à região, lamentou, domingo, no Cairo, "uma situação humanitária muito impossível de suportar", em Gaza.

O emir do Qatar, xeque Hamad ben Khalifa Al-Thani, pediu nesta segunda-feira a realização de uma reunião de cúpula árabe extraordinária dedicada à "agressão israelense contra a faixa de Gaza", que considerou "um crime de guerra".

Nesta segunda-feira, cerca de 200 tailandeses, a maioria muçulmanos, se reuniram em frente à embaixada de Israel em Bangcoc para denunciar a ofensiva em Gaza.

burs/cac/lm

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