Temor de recessão global abala os mercados

Os temores de que a crise financeira esteja levando o mundo para uma recessão global estão derrubando as Bolsas em todo o planeta. Nas primeiras horas desta quinta-feira, as principais Bolsas asiáticas operavam em baixas sensíveis.

BBC Brasil |

Em Tóquio, índice Nikkei operava na manhã de quinta com baixa de 5,52%. Durante o pregão a bolsa japonesa chegou a cair mais de 7%.

A Bolsa da Coréia do Sul também operava em baixa de 7,8%, em 1.046,05 pontos, o nível mais baixo desde julho de 2005. Até agora, a bolsa coreana perdeu 45% no ano.

Em Taiwan, a Bolsa abriu com baixa de 3,22% e em Sydney, Austrália, o pregão operava com baixa de 4,3% nos primeiros negócios desta quinta-feira.

A queda nas Bolsas da Ásia e Oceania é seguida de mais um dia de tensões do outro lado do planeta.

Em Nova York, o índice Dow Jones fechou a quarta-feira em baixa de 5,7%, em 8.519 pontos, enquanto a bolsa eletrônica Nasdaq registrou uma queda ligeiramente menor, de 4,8%.

Informações de que o Yahoo e a empresa farmacêutica Merck estão cortando postos de emprego aumentaram ainda mais a tensão nos mercados.

Na Europa, o FTSE 100, de Londres, perdeu 4,5% e o Dax, na Alemanha, também registrou recuo de 4,5%.

Segundo o analista da BBC Andrew Walker, as quedas agora não refletem tanto o temor imediato de mais quebras no setor bancário, como ocorreu nas últimas semanas, mas sim a preocupação dos investidores com a possibilidade de recessão em diversos países.

Respostas a Cristina
A maior queda no continente, no entanto, foi registrada na Espanha, onde a Bolsa fechou em baixa de 8,16%.

Mas o que impulsionou a queda na Espanha desta vez foi um fato politico.

As ações das companhias espanholas caíram depois de a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, ter enviado ao Congresso um projeto de lei para reestatizar a previdência no país. Muitas empresas espanholas têm grandes investimentos no país sul-americano.

Investidores temem que a Argentina caminhe para outro default.

A decisão de Cristina também derrubou o índice Merval, em Buenos Aires, que fechou em baixa de 10,1%, depois de chegar a superar os 17% negativos.

O Brasil também teve um dia tenso, com o índice Bovespa, em São Paulo, registrando baixa de 10,18%. O circuit breaker (mecanismo que interrompe os negócios automaticamente quando a bolsa atinge 10% de perdas), foi acionado uma vez durante o pregão.

A queda em São Paulo foi estimulada pelos temores sobre a saúde das instituições financeiras brasileiras, depois de uma anúncio do governo de um medida provisória que permite que bancos estatais adquiram participação em instituições privadas.

No Chile, o índice IPSA caiu 5,9% e o IPC, no México, registou queda de 7%, a maior desde 2000.

Encontro do G20
Ainda nesta quarta-feira, a Casa Branca anunciou que será realizada em Washington, no dia 15 de novembro, uma reunião de cúpula para discutir a economia global, com a presença de líderes do G20, o grupo formado pelos principais países industrializados e em desenvolvimento.

O objetivo do encontro será analisar a atual crise financeira e formas de evitar que ela volte a ocorrer.

"Os líderes vão avaliar os avanços que estão sendo realizados", disse a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino.

Segundo Perino, os líderes vão "chegar a um acordo sobre um conjunto de princípios em comum para reformar os sistemas regulatórios e institucionais dos setores financeiros mundiais".

Além dos líderes dos países do G20, inclusive do Brasil, o encontro deve ter a presença dos chefes do FMI e do Banco Mundial e do secretário-geral da ONU.

Antes do encontro em Washington, uma reunião de ministros das Finanças e presidentes dos bancos centrais dos países do G20 será realizada em São Paulo nos dias 8 e 9 de novembro.

Recessão na Grã-Bretanha
Na Grã-Bretanha, o primeiro-ministro Gordon Brown traçou um panorama sombrio da economia mundial em uma sessão no Parlamento.

"Precisamos tomar medidas sobre a recessão financeira global, que deve causar recessão nos Estados Unidos, na França, na Itália, na Alemanha, no Japão e, porque nenhum país pode se isolar disso, também na Grã-Bretanha", disse.

Os comentários de Brown ecoaram as declarações do presidente do Banco da Inglaterra, Mervyn King, que havia advertido na terça-feira que a Grã-Bretanha "provavelmente" está entrando em uma recessão - um fenômeno definido por economistas como dois trimestres consecutivos de crescimento econômico negativo.

Na sexta-feira, o governo britânico deve divulgar um novo balanço do PIB do país, que pode confirmar o prognóstico.

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