Temor de catástrofe leva Governo chileno a evacuar entorno do vulcão Chaitén

Santiago do Chile, 7 mai (EFE) - A possibilidade de ocorrer, no Chile, uma catástrofe similar à que sepultou há quase 2 mil anos a cidade romana de Pompéia levou o Governo a ordenar a evacuação total em um perímetro de 50 quilômetros em torno do vulcão Chaitén, que entrou em erupção em 2 de maio. De acordo com os especialistas, a pior situação seria que a nuvem piroclástica, que, na terça-feira, subiu mais de 30 mil metros após duas fortes explosões do vulcão, confirmaram hoje as autoridades, tivesse um colapso súbito e se precipitasse pelos vales causando graves danos em sua passagem. Pelas condições atuais pode ser que a coluna eruptiva perca sustentação e entre em colapso, alertou o chefe do Programa de Risco Vulcânico do Serviço Nacional de Geologia e Mineração (Sernageomin), Luis Lara. Segundo explicou a jornalistas, caso ocorresse um colapso todas as partículas suspensas no ar, impulsionadas pelos gases à pressão, se movimentariam como correntes piroclásticas (material incandescente) de alta densidade, a cerca de 400 km/h e de 400º Celsius de temperatura. O especialista, que reconheceu ser difícil calcular a probabilidade de isso ocorrer, disse que definiram esse cenário como o mais extremo, mas razoável pelas características do ciclo eruptivo. Mas caso tal cenário venha a ocorrer, a localidade de Chaitén, a apenas dez quilômetros do vulcão, poderia ficar soterrada, em um caso similar ao da cidade de Pompéia com o vulcão Vesúvio, na t...

EFE |

, o vulcão Vesúvio, no sul da Itália, produziu uma forte explosão que chegou à parte superior da montanha e jogou pedra-pomes e gases a mais de 33 quilômetros de altura.

A nuvem tóxica posteriormente desabou e espalhou gases e cinzas de alta densidade em um raio de 20 quilômetros, o que causou a morte de milhares de pessoas e soterrou as cidades de Pompéia e Herculano.

Na mesma situação, o Governo chileno nomeou na segunda-feira um ministro especial para a região atingida e ordenou a evacuação de todas as pessoas em um perímetro de 50 quilômetros ao redor do Chaitén.

No entanto, dezenas insistem em permanecer na localidade, entre eles 13 jornalistas, um aldeão, três carabineiros e dois locutores de uma rádio local, disse hoje o intendente da região dos Lagos, Sergio Galilea, à rádio "DNA".

"Se alguém está infelizmente andando pelos vales que descem do vulcão e acontece este colapso violento, ele só terá alguns segundos para escapar", explicou Lara.

No entanto, os especialistas colocaram uma segunda situação, que poderia fazer com que o vulcão, de 960 metros de altura, tivesse pequenos colapsos, sem estragos.

Igualmente descartaram, por enquanto, a emissão de lava, cujo risco é menor em comparação com o colapso da nuvem tóxica. Segundo os especialistas, a queda de cinzas continuará com espessura e grau de acumulação que dependerão da intensidade das explosões e dos ventos.

O Escritório Nacional de Emergência disse hoje que o vento desviou a coluna de cinzas a noroeste, em direção ao parque Pumalín, no Chile, e à cidade argentina de Bariloche.

A explosão do Chaitén, na terça-feira - a maior nos últimos 76 anos no país depois do Quizapú (1932) e o Hudson (1991) -, unificou suas duas crateras em uma de 800 metros.

Os quase 4 mil habitantes de Chaitén foram levados para a ilha Chiloé e a cidade de Puerto Montt, enquanto os 1.800 do povoado de Futaleufú foram transferidos em ônibus até Argentina, de onde foram ao Chile pela cidade de Osorno, mais ao norte.

"Estas famílias se encontram hoje na incerteza sobre suas vidas e seu futuro (...). Quero aproveitar e dizer a todos os atingidos que tenham a certeza de um futuro melhor", afirmou hoje a presidente Michelle Bachelet.

Por sua parte, a ministra de Agricultura, Marigen Harnkohl, disse que sua pasta coordena a ajuda aos agricultores da região e seus animais, um rebanho de cerca de 23 mil bois e 28 mil ovelhas.

Segundo especialistas, a recuperação das terras da queda de cinzas pode demorar décadas, enquanto nas águas dos rios limites a Futaleufú e a outras áreas foi detectado um grau de acidez anormal, o que afetaria a biodiversidade aquática. EFE pg/rb/db

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