Temendo inflação, BC decide manter juros inalterados

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira manter a taxa de juros em 13,75%, sem viés, mostrando que a preocupação da autoridade monetária com a inflação ainda é maior do que o temor de que o Brasil, seguindo a tendência de muitas das maiores economias do mundo, esteja a caminho de uma recessão. Segundo um comunicado divulgado na noite desta quarta-feira, o Copom chegou a cogitar a hipóteses de baixar os juros já nesta reunião, mas a decisão de manter a taxa estável foi unânime.

BBC Brasil |

"Tendo a maioria dos membros do Comitê discutido a possibilidade de reduzir a taxa básica de juros já nesta reunião, em ambiente macroeconômico que continua cercado por grande incerteza, o Copom decidiu por unanimidade, ainda manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, sem viés, neste momento", diz o comunicado divulgado pelo Banco Central.

"O Comitê irá monitorar atentamente a evolução do cenário prospectivo para a inflação com vistas a definir tempestivamente os próximos passos de sua estratégia de política monetária", completa.

Com a decisão, o Brasil manteve a maior taxa real de juros do mundo, com 7,85%. O número é resultado da taxa básica, descontada a inflação.

Enquanto a inflação em alta exige taxas de juros mais elevadas, a recessão pede uma dose menor.

Na última reunião do Copom, em outubro, a grande dificuldade do Banco Central na hora de tomar sua decisão foi analisar a instabilidade e a falta de clareza no cenário internacional.

Mas segundo economistas, a situação agora está um pouco mais clara - mas para pior, o que reforçaria a necessidade de queda dos juros. Já se sabe, por exemplo, que as economias ricas, como Estados Unidos e Grã-Bretanha, já estão em recessão.

Por outro lado, dados divulgados pelo IBGE nesta semana mostram que o Brasil teve um crescimento de 6,8% no terceiro trimestre de 2008, o que pode ter influenciado a decisão do Copom de manter a taxa.

Desaceleração
Dados referentes aos últimos meses, no entanto, não são tão animadores.

Nas últimas semanas, uma série de indicadores negativos surpreenderam o mercado. Algumas consultorias, como a LCA, já falam em recessão técnica (dois trimestres consecutivos de queda no PIB) no primeiro trimestre de 2009.

A produção industrial recuou 1,7% em outubro, segundo o IBGE. Os que mais sofreram foram os setores de bens duráveis, como veículos e eletrodomésticos, cuja produção caiu 4,7%. As vendas de automóveis caíram 25% em novembro, em relação ao mês anterior.

O fluxo comercial brasileiro com o resto do mundo também diminuiu em novembro. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, houve queda tanto nas exportações (-12,3%), quanto nas importações (-16,5%).

Por outro lado, a inflação no Brasil ainda está acima do centro da meta. O IPCA de novembro subiu menos do que o esperado, mas o índice anual chega a 6,39%, enquanto a meta do governo é de 4,5%.

O dólar, que na última reunião aparecia como uma das principais ameaças inflacionárias, continua em alta. Na semana passada, chegou a R$ 2,50.

O Copom volta a se reunir nos dias 20 e 21 de janeiro de 2009.

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