Telescópio Glast abre nova janela sobre Universo

O telescópio Glast, que deve ser lançado pela Nasa nesta quarta-feira, permitirá abrir uma nova janela sobre o Universo, explorando suas fontes de energia mais poderosas, os raios gama, cujas gigantescas explosões iluminam, regularmente, o Cosmo.

AFP |

O Glast (do inglês Gamma-Tay Large Area Space Telescope, ou grande telescópio espacial dos raios gama), também buscará indícios que expliquem os mecanismos de aceleração nos pulsares, os vestígios de supernovas, assim como os núcleos ativos das galáxias.

Esse telescópio também pode ajudar a esclarecer o mistério da matéria escura que forma cerca de 25% do Universo contra apenas 5% para a matéria visível. Os 70% restantes são representados pela energia do vazio, que explica a aceleração da expansão do Universo, contrabalançando a força da gravidade.

A missão Glast "vai levantar um véu sobre o Universo de maneira nova e grandiosa", resumiu Steven Ritz, astrofísico da Nasa e responsável científico pelo projeto, na entrevista coletiva de apresentação, realizada na segunda-feira.

"Uma grande parte da comunidade científica espera, ansiosamente, pelo lançamento desse telescópio", acrescentou.

"O Universo aparece muito diferente de fora do estreito leque de cores do espectro luminoso, através do qual nós vemos apenas com nossos olhos", comentou David Thompson, responsável científico adjunto da missão Glast.

"O Glast nos dará uma visão espetacular através dos raios gama", continuou.

Os raios gama são a forma de luz dotada da mais forte energia no espectro eletromagnético e não podem ser vistos a olho nu.

No espaço, uma visão pelos raios gama faz aparecer a Via Láctea, nossa galáxia, sob uma forma muito brilhante, e mostra o céu mudando constantemente com os objetos, cuja intensidade luminosa varia em diferentes escalas do tempo, explicou o astrofísico.

Graças a seus potentes instrumentos, o Glast será capaz de detectar milhares de fontes de raios gama desde seu primeiro ano em funcionamento.

O satélite será dotado de um dispositivo experimental herdado de detectores de partículas dos grandes aceleradores, e sua carga útil principal, o telescópio LAT (Large Area Telescope), oferecerá performances bem superiores em relação às da missão precedente - o telescópio Egret, a bordo do Compton Gamma-Ray Observatory, lançado pela Nasa, em 1991.

Comparativamente, o ganho em sensibilidade do Glast é de tal ordem que poderá fazer, em alguns dias, observações que levariam quatro anos no caso do Egret.

O primeiro ano da missão será dedicado à cartografia completa da abóbada celeste, com uma sensilidade sem precedentes, que deve permitir descobrir de 5.000 a 10.000 fontes de raios gama.

O satélite Glast também levará a bordo um detector de jatos de raios gama, o "Glast Burst Monitor" (GBM).

O Glast é resultado de uma colaboração internacional. Além dos Estados Unidos, que financiam o projeto em quase 90%, Alemanha, França, Itália, Japão e Suécia também participam dele. Sua duração prevista é de cinco anos, com uma provável ampliação para dez anos.

O lançamento do Glast, por um foguete Delta II, está previsto para acontecer da base do Exército do Ar do Cabo Canaveral, na Flórida (sudeste), nesta quarta-feira, às 11h45 (12h45 de Brasília). A janela de lançamento tornará a ser fechada às 13h40 (14h40 de Brasília).

O custo total da missão Glast, incluindo o lançamento, é de US$ 690 milhões.

js/tt

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