Capitão ignorou ordem de retornar ao navio, diz imprensa italiana

Gravações da caixa preta e telefonemas indicam que comandante abandonou embarcação e não coordenou retirada de passageiros

iG São Paulo |

Gravações da caixa preta do navio Costa Concordia e de ligações telefônicas obtidas pela imprensa italiana indicam que o capitão da embarcação, Francesco Schettino , teria ignorado uma ordem da guarda costeira italiana para retornar ao navio e coordenar a retirada dos passageiros e tripulantes. O número de mortos aumentou nesta terça-feira de seis para 11 após mais cinco corpos terem sido encontrados dentro do embarcação. As autoridades confirmaram que 24 ainda estão desaparecidos.

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De acordo com os relatos publicados pela imprensa italiana, em uma conversa com a guarda costeira várias horas após o navio se chocar com a rocha que provocou seu naufrágio, Schettino dá respostas evasivas, sugerindo que não estava no controle da retirada dos ocupantes do navio.

Escute o áudio:


Segundo o "Corriere della Sera", a guarda costeira perguntou ao capitão quantas pessoas ainda estavam a bordo. Embora a embarcação estivesse cheia, o comandante respondeu que apenas entre 200 e 300.

A resposta levantou suspeitas e a guarda costeira perguntou se ele tinha deixado o navio. Schettino teria dito que sim. "O que você está fazendo? Está abandonando o resgate? Capitão, isto é uma ordem, estou no comando agora. Você declarou 'abandonar o navio'", afirma o oficial da guarda costeira a Schettino em determinado momento da conversa.

Ao ouvir do oficial que já havia corpos de mortos encontrados, Schettino pergunta quantos e ouve como resposta: "Isso é para você me dizer. O que você está fazendo? Quer ir para casa?", questiona o interlocutor.

O comandante garantiu que voltaria ao navio, mas testemunhas e investigadores que cuidam do caso afirmam que ele não voltou e disseram que ele pegou um táxi em direção a um hotel.

Ainda segundo as gravações obtidas pela imprensa italiana, o choque do navio com a rocha teria ocorrido às 21h45 (18h45 de Brasília), mas o capitão somente teria declarado problemas com a embarcação 49 minutos depois.

O primeiro alarme recebido pela guarda costeira teria vindo com a chamada de um passageiro do navio, às 22h06.

A guarda costeira contatou então a tripulação do navio, mas foi informada que havia apenas um problema elétrico.

O Costa Concordia naufragou na costa italiana na noite de sexta-feira, com mais de 4,2 mil a bordo, incluindo cerca de mil tripulantes.

O presidente da empresa operadora do navio responsabilizou Schettino, de 52 anos, pelo acidente, afirmando que ele foi provocado por erro humano.

Nesta terça-feira, um tribunal italiano decretou prisão domiciliar contra o capitão, após três horas de interrogatório. Ele, que manteve sua inocência, foi detido no sábado sob acusação de homicídio culposo múltiplo (sem intenção de matar), naufrágio e abandono do navio, crimes pelos quais pode ser condenado a até 15 anos de prisão.

De acordo com o advogado de Schettino, durante as várias horas de interrogatório o capitão manteve que é inocente perante a juíza de instrução Valeria Montesarchio. "Ele defendeu seu papel na direção do navio depois da colisão, o que, em sua opinião, salvou centenas, senão milhares de vidas", disse Bruno Leporatti. Os promotores, entretanto, disseram que o depoimento de Schettino não muda o caso contra ele.

Em uma entrevista à TV italiana no domingo, Schettino havia afirmado ter sido o último a deixar o navio e disse que as cartas náuticas não indicavam a presença de rochas no local do acidente. Schettino, que trabalha para a Costa Crociere há 11 anos, tornou-se capitão em 2006.

Com BBC e EFE

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