Teerã, 10 jul (EFE).- O Governo iraniano denunciou hoje como injustas e errôneas as críticas dos Estados Unidos e outros países ocidentais aos testes realizados pelos Guardiões da Revolução (tropa de elite do regime da República Islâmica) de mísseis de médio e longo alcance, segundo a agência Irna.

"As avaliações unilaterais e as interpretações subjetivas a respeito dos exercícios defensivos das forças de República Islâmica têm como objetivo fazer propaganda a favor do regime sionista (Israel)", disse o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores iraniano, Mohamad Ali Hosseini.

O Irã, que ameaçou "queimar" Israel e a força naval americana no Golfo Pérsico, caso suas instalações atômicas fossem atacadas, testou nas últimas 24 horas mísseis dotados de "tecnologia avançada", assim como aviões não tripulados para missões de combate e reconhecimento.

Um desses foguetes, Shihab-3, pesa uma tonelada e tem 2 mil quilômetros de alcance, e é capaz de chegar a numerosos alvos no Oriente Médio, incluindo Israel.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, considerou que os testes iranianos demonstram que a ameaça do regime de Teerã "não é imaginária", e reiterou que seu país faz "tudo o que é possível para que o Irã não tenha oportunidade de ameaçar" seus parceiros e amigos.

Os testes iranianos ocorreram durante as manobras que efetivos das forças aérea e naval da Guarda Revolucionária realizam desde a última segunda-feira, no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, situado entre o Irã e Omã, e de especial importância para a exportação do petróleo produzido nessa rica região petrolífera.

Hosseini acusou os EUA e "alguns aliados ocidentais do país" de "fazerem pouco caso das manobras militares e das repetidas ameaças dos políticos e meios de comunicação sionistas contra o Irã".

"Eles (os ocidentais) fazem pouco caso das verdadeiras fontes da ameaça e inquietação contra a segurança e a estabilidade do Oriente Médio", acrescentou.

Ao mesmo tempo, o porta-voz insistiu que os exercícios da Guarda Revolucionária, considerada a "coluna vertebral" do regime de Teerã, "são normais e rotineiros, e têm como objetivo elevar a capacidade de dissuasão das forças para que estejam preparadas para defender a integridade territorial e a soberania do Irã contra possíveis ameaças exteriores".

O corpo dos Guardiões da Revolução, que conta com mais de 250 mil efetivos e dispõe de material militar sofisticado, foi criado após a Revolução Islâmica, em 1979, atua de forma separada do Exército iraniano e é absolutamente leal ao líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. EFE msh/gs

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