Barcelona, 6 out (EFE).- O empresário americano Ted Turner previu hoje um futuro catastrófico para o homem caso os líderes mundiais não cheguem a acordos, nos próximos 50 anos, para combaterem o aquecimento global ou frearem a deterioração do meio ambiente.

Ted Turner, fundador da rede de TV "CCN", fez esta observação durante seu discurso no Congresso Mundial da Natureza, do qual participa como representante da ONU e que foi iniciado hoje em Barcelona.

Mais de 7 mil responsáveis em assuntos ambientais, grupos indígenas, ONGs, empresas e instituições debaterão em Barcelona sobre a defesa da diversidade dos ecossistemas e a luta contra a mudança climática.

Turner advertiu sobre os riscos de não se chegar a consensos sobre assuntos fundamentais como desarmamento nuclear, aquecimento do planeta, crescimento da população mundial, conservação das florestas ou desertificação.

"Não podemos fracassar", disse Turner, para quem os próximos 50 anos serão fundamentais.

"A humanidade tem a possibilidade de viver em um mundo similar a um jardim do Éden ou morrer em um inferno ardendo entre chamas", declarou o representante da ONU.

Entre as principais ameaças à humanidade, Turner destacou a proliferação do armamento nuclear, que se concentra especialmente nas mãos dos Estados Unidos e da Rússia, mas que também está ao alcance de países como o Irã.

A afirmação de Turner de que a existência de armamento nuclear transforma o homem em uma "espécie em perigo de extinção" mereceu aplausos dos presentes à cerimônia de abertura do congresso.

Segundo o fundador da "CNN", frear a deterioração do meio ambiente e combater suas ameaças é possível com o uso dos orçamentos que os Estados dedicam para fins militares. "Necessitamos de um novo Renascimento", afirmou.

Já um grupo de especialistas ambientais defendeu a necessidade urgente de se criar uma rede de áreas marinhas protegidas para salvaguardar a biodiversidade no Mar Mediterrâneo, que tem apenas 3,8% de proteção ou gestão.

O Mediterrâneo dispõe de 7% de todas as espécies marinhas conhecidas, das quais boa parte é considerada exclusiva da região.

Neste sentido, os especialistas alertaram que por se tratar de um mar fechado e rodeado por uma costa "superpopulosa", o Mediterrâneo está sendo gravemente danificado por uma exploração excessiva de seus recursos e uma contaminação ligada à presença humana.

A maior parte do Mediterrâneo é considerada alto-mar, o que dilui a "responsabilidade" entre os países que fazem com ele quanto quem é responsável por sua proteção. EFE nac/fh/fal

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