Ted Kennedy, último patriarca de uma dinastia americana

O senador Edward Ted Kennedy foi tanto uma figura controversa quanto um pilar da política americana nas últimas décadas.

AFP |

Como seus irmãos, Edward Moore Kennedy, mais conhecido como Ted Kennedy representou a elite rica e bem educada nas melhores universidades, condição que, segundo seus detratores, fez que conseguisse se livrar de vários escândalos de sua vida pessoal.

Sua vida também foi marcada pela tragédia, com os assassinatos do presidente John F. Kennedy em 1963 e de seu outro irmão, o senador e ex-procurador-geral Robert Kennedy, em 1968.

Mas, quase no final de sua vida, depois de cinco décadas como senador democrata, Edward Kennedy ganhou a admiração de todos os setores por seu empenho em continuar exercendo a função legislativa apesar de um câncer no cérebro.

Ted Kennedy nasceu em 22 de fevereiro de 1932 em uma família de católicos praticantes encabeçada pelo banqueiro Joseph Kennedy Sr. e sua esposa Rose.

O mais novo de nove filhos, formado em Harvard, rapidamente se colocou à altura das ilustres carreiras de seus irmãos mais velhos.

Em 1962 ganhou uma cadeira no Senado pelo liberal estado de Massachusetts, que havia sido deixada vaga por seu irmão ao ser eleito presidente. Também ganhou uma reputação de congressista agressivo em causas como imigração, direito ao voto e controle de armas.

Mas a idade de ouro dos irmãos Kennedy foi brutalmente interrompida por uma série de tragédias e o azar que acabou ganhando a alcunha popular de a "Maldição dos Kennedy".

Em 1964, no ano seguinte ao assassinato de John F. Kennedy em Dallas (Texas), Ted Kennedy escapou por pouco da morte em um acidente de avião onde morreram um assessor e o piloto.

O assassinato de seu irmão Robert, em plena ascensão na corrida presidencial em 1968, deixou muitos esperando que Ted pegasse a tocha.

Mas suas possibilidades de chegar à Casa Branca ficaram seriamente comprometidas no ano seguinte, em 1969, quando seu carro caiu de uma ponte em Chappaquiddick (Massachusetts), causando a morte da secretária Mary Jo Kopechne.

O escândalo explodiu quando foi revelado que Kennedy saiu nadando do carro, deixando para trás o corpo de Kopechne, além de não informar sobre o acidente até o dia seguinte.

O jovem senador foi condenado a dois meses sob liberdade condicional por fugir do lugar do acidente, mas, mesmo assim, foi facilmente reeleito para o Senado.

O acidente, no entanto, manchou para sempre sua imagem e é considerada a principal razão pela qual adiou apresentar-se como candidato a presidência, antes de perder a indicação democrata para o então presidente Jimmy Carter em 1980.

A reputação de mulherengo e beberrão também o prejudicou muito.

Os corredores de Washington estão cheios de piadas que falam dele 'in fraganti' transando com mulheres no chão de restaurantes ou saindo à caça de estagiárias pelos corredores do Capitólio com outro senador.

Também viveu momentos difíceis em casa, quando seu filho, por causa de um câncer, sofreu uma amputação de perna ou quando se separou da esposa Joan depois de 22 anos de casamento.

Em 1991, a corrida presidencial de Kennedy sofreu outro golpe quando seu sobrinho, William Smith, foi acusado de estupro.

Apesar de Smith ter sido absolvido, a denunciante causou mais danos à reputação do senador ao prestar testemunho e revelar que ele havia saído para festejar junto com Smith na noite do suposto ataque.

Kennedy publicou um mea culpa sobre as "faltas de conduta em minha vida privada" em 1991 e, no ano seguinte, voltou a se casar, refez sua carreira e concorreu à reeleição em 1994.

Durante a turbulenta presidência de George W. Bush (2001-2009), Kennedy emergiu como um proeminente opositor à invasão do Iraque. Acusou Bush de exagerar nas ameaças representadas por Saddam Hussein e comparou as políticas de Bush à guerra do Vietnã de Richard Nixon.

Kennedy assumiu novamente o primeiro plano da política americana na eleição de 2008 com o crucial apoio de sua família a Barack Obama, uma figura que alguns consideram uma versão moderna de JFK.

O debate sobre a reforma do sistema de saúde impulsionada por Obama foi o terreno de sua última batalha política, que classificou como "a causa de minha vida".

Sua saúde começou a se debilitar e foi diagnosticado com câncer de cérebro de 2008. Chegou a sofrer um desmaio durante a cerimônia de posse de Obama em 20 de janeiro passado.

No início de agosto faleceu sua irmã Eunice, fundadora dos Jogos Olímpicos Especiais. Alguns dias mais tarde, Kennedy estava tão frágil que não pôde assistir em Washington à entrega da Medalha da Liberdade por Obama, enviando seus filhos para aceitar a condecoração em seu nome.

Dos Kennedy ainda sobrevivem sua esposa Victoria e seus três filhos: Kara, Edward Jr., e Patrick, membro da Câmara de Representantes.

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