Ted Kennedy é enterrado junto a seus irmãos em Washington

Washington, 29 ago (EFE).- Edward Kennedy, leão liberal do Senado dos Estados Unidos e lendário líder do Partido Democrata durante quase meio século, foi enterrado hoje durante uma cerimônia emotiva junto a seus irmãos no Cemitério Nacional de Arlington, após três dias de tributo nacional.

EFE |

O patriarca da dinastia política foi enterrado em cerimônia privada no cemitério próximo a Washington e que serve de panteão a mais de 330 mil soldados e heróis nacionais.

O sepultamento, com plena gala militar e rigoroso rito católico, atrasou quase três horas e aconteceu durante o pôr-do-sol de um dia que começou cinza e tornou-se ensolarado.

Centenas de pessoas enchiam as ruas centrais da capital para se despedir de um "homem do povo", levando cartazes, bandeiras dos EUA, fotos de Kennedy, e cartazes de suas campanhas passadas.

A viúva de Kennedy, Vicki Reggie Kennedy, recebeu a bandeira americana que cobria desde a quarta-feira o caixão do senador.

As imagens da televisão mostravam como o caixão, coberto com a bandeira americana, era levado por membros das Forças Armadas e trasladado a seu túmulo, perto das de seus irmãos, o ex-presidente John Fitzgerald Kennedy, e o ex-senador de Nova York, Robert Kennedy, assassinados em 1963 e 1968, respectivamente.

Kennedy morreu na terça-feira aos 77 anos em sua casa em Hyannis Port (Massachusetts), após uma batalha de 15 meses contra um câncer.

Do mais novo entre nove irmãos agora resta somente sua irmã Jean Kennedy Smith, de 81 anos.

Em seu último percurso por Washington, o cortejo fúnebre parou alguns minutos em frente ao Senado, onde Kennedy chegou pela primeira vez aos 30 anos, em 1962.

Ali, centenas de pessoas, entre líderes do Congresso e funcionários e ex-empregados de Kennedy, o receberam com prolongados aplausos, orações e canções patrióticas como "God Bless America" e "America The Beautiful".

A caravana fúnebre, com limusines, offroads e ônibus, percorreu todo o largo da Avenida da Constituição e a Memorial Bridge, sobre o Rio Potomac, rumo ao cemitério.

Um grupo de sete soldados do Exército - ramo ao qual Kennedy pertenceu durante dois anos - realizou um rito tradicional de três disparos, diferente aos 21 tiros de canhão que são reservados unicamente aos presidentes, explicou o escritório de Kennedy.

O ritual de enterro foi presidido pelo cardeal e arcebispo emérito de Washington, Theodore McCarrick, amigo do ex-senador democrata de Massachusetts.

"Seu grito e seu entusiasmo pelas coisas nas quais acreditava fizeram uma diferença na vida de nossa nação", disse McCarrick.

O religioso leu parte de uma carta que Kennedy enviou ao papa Bento XVI e que o presidente Barack Obama lhe entregou pessoalmente durante seu encontro recente.

Na carta, Kennedy, um católico fervoroso de ascendência irlandesa, comunicou ao papa seu grave estado de saúde por causa de um câncer cerebral incurável, e lhe pediu que rezasse por ele enquanto se preparava para sua "próxima etapa na vida".

Acrescentou que sua fé católica foi "o centro de nossas vidas" e o ajudou a enfrentar as tragédias na família.

Na carta, continuou lendo McCarrick, Kennedy também confessou "ser imperfeito" mas que, fazendo um repasse de sua vida, se dedicou a "endireitar seu caminho", trabalhando pelos pobres e imigrantes, e lutando pela educação e contra a discriminação, as guerras e a pena de morte.

Participaram da cerimônia sua filha, Kara, e vários de seus netos que, com a voz entrecortada, lembraram Kennedy como "o melhor dos avôs", com um eterno sorriso, passeando, desfrutando de um jantar de "Ação de Graças", ou brincando na varanda da casa.

Kennedy, que serviu à política desde 1962 e sob dez Governos, foi enterrado em um túmulo situado a 30 metros do de Bobby Kennedy, e a cerca de 61 metros do ex-presidente John Fitzgerald Kennedy.

O túmulo, da mesma forma que a do ex-presidente, terá uma simples cruz de madeira pintada em branco e uma placa de mármore dizendo simplesmente "Edward Moore Kennedy", seu nome de batismo, e as datas de nascimento e morte, "1932-2009".

O cemitério, que a cada ano atrai quatro milhões de turistas, reabrirá ao público neste domingo, para que continuem os tributos ao ex-senador. EFE mp/ma

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