Ted Kennedy deixa um legado de luta pela igualdade nos EUA

Washington, 26 ago (EFE).- Os Estados Unidos, com seu presidente à frente, choraram hoje a morte do senador Edward Kennedy, membro da dinastia política mais importante da história do país e considerado um lutador pela igualdade e pelos direitos civis.

EFE |

"Um importante capítulo de nossa história chegou ao fim. Nosso país perdeu um grande líder, que tomou a tocha de seus irmãos caídos e se transformou no maior senador americano de nossos tempos", disse o presidente americano, Barack Obama.

Manifestações semelhantes de carinho, respeito e admiração se repetiram a partir de todas as instâncias de poder, tanto a partir das fileiras democratas como das republicanas, que reconheceram em Kennedy, de 77 anos, um dos melhores políticos produzidos pelos Estados Unidos.

Como sinal de pesar, as bandeiras americanas ficaram hasteadas hoje a meio mastro.

O senador, que morreu nesta terça-feira devido a um câncer no cérebro, será enterrado em uma data ainda não definida no Cemitério Nacional de Arlington, divisa com a capital americana, junto aos túmulos de seus irmãos, o presidente John, e o senador Robert, ambos assassinados, e com 225 mil soldados.

Antes ele será velado na Biblioteca Presidencial dedicada a seu irmão John F. Kennedy, em Boston.

O político, conhecido como o "Leão liberal do Senado", ao qual dedicou 47 anos de sua carreira política, representava um clã que dominou a política dos Estados Unidos nos anos 60 e que cativou o país e o resto do mundo com seu glamour e também com suas tragédias.

A morte de Ted Kennedy em sua residência de Hyannis Port, em Massachusetts, foi anunciada no começo desta quarta-feira pela família em comunicado.

"Perdemos o pilar central e insubstituível de nossa família e a luz de nossa vida, mas sua fé, otimismo e perseverança viverão em nossos corações para sempre", afirma a nota.

Ted Kennedy foi diagnosticado com um câncer cerebral em maio do ano passado e em seguida passou por uma operação que não conseguiu retirar totalmente o tumor maligno.

Apesar de sua delicada saúde, apareceu por surpresa na Convenção Democrata de Denver, há exatamente um ano, aonde foi para respaldar a candidatura presidencial de Barack Obama.

Com um discurso emocionante, lúcido e brilhante, Kennedy prometeu na ocasião estar presente quando Obama tomasse posse na Casa Branca e fez isso, participando da cerimônia, na qual sofreu um pequeno desmaio.

Em abril o senador foi à Casa Branca, para ver Obama assinar uma lei que levava seu nome e que tinha como objetivo ampliar um programa de serviço comunitário.

A morte de Ted Kennedy acontece justo no momento em que seu partido mais precisa, quando se discute no Congresso sua ansiada reforma do sistema de saúde, pela qual Kennedy brigou durante décadas.

O senador deixa um legado de luta pelos direitos civis e pela igualdade de oportunidades para os mais desfavorecidos, ao longo de sua extensa trajetória no Senado, Casa para a qual foi eleito em 1962, durante a Presidência de seu irmão John.

Os próprios anseios presidenciais do político foram afetados devido a um escândalo causado por um acidente de automóvel sofrido em 1969, no qual morreu a mulher com quem viajava, Mary Jo Kopechne.

O carro caiu na água, e ele conseguiu se salvar, mas ela se afogou.

Kennedy concorreu uma vez à Casa Branca, em 1980, mas perdeu a candidatura democrata à Presidência para Jimmy Carter, que tentava a reeleição.

Hoje, as figuras mais relevantes da política americana lembraram o legado político do senador, entre eles o vice-presidente, Joseph Biden, um veterano do Senado.

Biden disse que durante mais de 36 anos tinha tido "o privilégio de ir trabalhar a cada dia", e de se sentar "literal e, não figurativamente, a seu lado, e de ser testemunha da história".

"Kennedy restaurou meu idealismo e minha fé nas possibilidades do que este país pode fazer e poderia ser", afirmou.

Para o líder dos democratas no Senado, Harry Reid, "o rugido do 'leão liberal' pode agora calar para sempre, mas seus sonhos e ideais nunca morrerão", As homenagens chegaram também do lado republicano, começando por Nancy Reagan, mulher do ex-presidente Ronald Reagan.

"Devido a nossas diferenças políticas, o povo se surpreenderia com o quão próximo que Ronnie e eu estivemos da família Kennedy", disse em comunicado.

Já o senador Orrin Hatch qualificou Kennedy como "um amigo prezado", enquanto seu colega John McCain, que foi candidato presidencial republicano em 2008, disse que é "insubstituível" no Congresso.

O ex-presidente George H.W. Bush, outro republicano, afirmou que embora durante muitos anos não tenha concordado com Kennedy "em muitos temas políticos", sempre respeitou "sua inalterável vocação de serviço público".

Por essa vocação e pelo sentido do dever de Kennedy, os Estados Unidos estão hoje de luto. EFE pgp/db

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