A polícia americana prendeu nesta quinta-feira um técnico do laboratório da Universidade de Yale, acusado de asfixiar e ocultar o corpo da jovem que foi encontrada dentro de um vão da parede no subsolo do laboratório onde ele trabalha.

Raymond Clark, de 24 anos, foi preso em um motel no estado de Connecticut e levado para New Haven, onde fica o campus da prestigiada universidade. Sua fiança foi estabelecida em três milhões de dólares.

O suspeito, que apresentava arranhões nos braços e já havia sido interrogado pela polícia na terça-feira, não fez nenhuma declaração antes de ser levado para a delegacia.

Clark foi declarado "pessoa de interesse" no caso, depois que o corpo da jovem Annie Le foi encontrado no subsolo do laboratório de alta segurança onde ele trabalhava como técnico e ela estudava.

Le, que também tinha 24 anos, deveria se casar no domingo, quando seu corpo foi encontrado. Ela estava desaparecida desde o dia 8 de setembro.

Apesar da prisão de Clark como suspeito nesta quinta, a polícia ainda não confirmou se as amostras de DNA recolhidas dele na terça-feira batem com as evidências genéticas recolhidas do cadáver da jovem estudante, mas a julgar pelo alto valor da fiança, é muito provável que as autoridades já tenham algumas certezas.

Na quarta-feira, o instituto médico legal indicou que Annie Le havia morrido em consequência de "asfixia traumática causada por compressão do pescoço"

"Trata-se de um caso de violência no local de trabalho, que é um problema crescente em nosso país", afirmou à imprensa o chefe da polícia de New Haven (Connecticut), James Lewis.

O presidente de Yale, Richard Levin, disse que Clark trabalhava no laboratório desde dezembro de 2004, e que "nada no histórico de seu trabalho dá qualquer indicação de que seu envolvimento num crime como este seja possível".

Pedindo calma, Levin afirmou: "precisamos impedir que este incidente acabe com a confiança que temos um no outro".

"O que aconteceu aqui poderia ter acontecido em qualquer lugar. Diz mais sobre o lado negro da alma humana do que qualquer outra coisa", acrescentou.

Diante do silêncio da polícia, a imprensa especula possíveis justificativas para o crime. Um jornal local considerou que Clark teria ficado irritado com o fato de Annie Le manusear ratos no laboratório, onde são realizados experimentos com animais. Outras reportagens sugerem que Clark poderia estar apaixonado pela estudante, e a matou para que não se casasse.

Jeffrey Ian Ross, criminologista da Universidade de Baltimore, destacou que Clark é um suspeito que pode confundir a polícia, devido a seu histórico policial limpo.

"Aos 24 anos, é muito tarde para demonstrar raiva", estimou o especialista.

A maioria deste tipo de crime, afirmou, envolve questões relativas a "amor, dinheiro ou algum tipo de desrespeito".

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