Washington, 25 ago (EFE).- O ex-vice-presidente americano Dick Cheney defendeu hoje as técnicas refinadas usadas pela CIA (agência de inteligência americana) nos interrogatórios de supostos terroristas durante o Governo anterior, ao afirmar que estas medidas permitiram salvar vidas.

Em comunicado, Cheney afirmou que os documentos publicados na segunda-feira sobre os abusos cometidos por agentes da CIA em alguns interrogatórios de suspeitos de terrorismo "claramente mostram que as pessoas submetidas às técnicas melhoradas de interrogação deram a maior parte da informação de inteligência" sobre a Al Qaeda.

Esta informação "salvou vidas e preveniu atentados terroristas", disse o ex-vice-presidente americano, acrescentando que os detidos "também tiveram papel em quase todas as detenções de membros e associados da Al Qaeda desde 2002, segundo os documentos".

Na segunda-feira, foi divulgado um novo relatório que revelou que a CIA intimidou com pistolas e furadeiras elétricas suspeitos de terrorismo submetidos a interrogatório, e ameaçou assassinar as famílias dos interrogados.

O Departamento de Justiça dos EUA anunciou também a nomeação de um promotor especial para que investigue os abusos cometidos por agentes da CIA nesses interrogatórios e determine se há evidências suficientes para abrir um processo criminal contra os responsáveis.

No entanto, para Cheney, a decisão do procurador-geral, Eric Holder, de ordenar uma investigação criminal deveria gerar "dúvidas sobre a capacidade desta Administração de assumir a responsabilidade sobre a segurança" do país.

"As pessoas envolvidas (nos interrogatórios) merecem nosso agradecimento. Não merecem ser alvo de investigações políticas ou processos" judiciais, disse.

As atividades da CIA ao colocar em prática as políticas da Administração do ex-presidente George W. Bush permitiram "destruir todos os esforços da Al Qaeda" de lançar mais ataques contra os EUA, afirmou o ex-vice-presidente.

O presidente americano, Barack Obama, ordenou a criação do Grupo de Interrogatório de Detidos de Alto Valor (HIG, em inglês), que terá sua sede no FBI (polícia federal americana), mas será supervisionada pelo Conselho Nacional de Segurança, o que tira o centro de gravidade da CIA e permite vigilância direta da Casa Branca.

Na opinião de Cheney, os passos dados pelo atual Governo evidenciam a razão pela qual "tantos americanos" duvidam da capacidade da Administração Obama de zelar pela segurança nacional.

EFE cae/an

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.