Praga, 14 out (EFE).- O Instituto para o Estudo dos Regimes Totalitários da República Tcheca (USTRCR) investigou a veracidade de dois documentários independentes antes de concluir que o escritor Milan Kundera delatou um compatriota seu em 1950.

Assim explicou à agência Efe, hoje em Praga, Vojtech Ripka, diretor do de Documentação do USTRCR, depois que Kundera - que desde 1975 vive na França, país que lhe concedeu nova nacionalidade - protestasse ontem contra alegações de delação.

"Trataria-se de dois erros, algo que o Instituto descarta totalmente", disse Ripka.

Segundo ele, "há duas fontes independentes: o documento da denúncia à Polícia efetuada por Milan Kundera, de cuja veracidade não duvidamos, e a conversa biográfica com Iva Militka, quando ela não tinha conhecimento dessa denúncia".

O registro da denúncia, segundo Ripka, conta que em 14 de março de 1950 o então estudante Milan Kundera dissera que Militka havia se encontrado com Miroslav Dvoracek, que havia fugido para a Alemanha após a implantação da ditadura comunista em seu país e era acusado de trabalhar como espião dos Estados Unidos.

Militka confirmou a informação em depoimento ao coordenador de História Oral do USTRCR e autor da matéria "A Delação de Milan Kindera", Adam Hradilek.

Detido naquele mesmo dia, Dvoracek foi condenado à morte por deserção, espionagem e alta traição, pena posteriormente reduzida a 22 anos de trabalhos forçados, dos que cumpriu 14. Em 1968, migrou para a Suécia, onde vive até hoje. EFE gm/jp

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