A República Tcheca e a Eslováquia estão nas manchetes da atualidade européia nesta quinta-feira, com a primeira passando a ocupar a presidência de turno da UE, e a outra somando-se à zona do Euro.

Os dois países trilham, no entanto, caminhos muito diferentes desde a partilha da extinta Tchecoslováquia em 1993.

"Os 16 anos de independência da República Eslovaca foram um sucesso", felicitou-se o primeiro-ministro eslovaco Robert Fico vangloriando-se dos méritos do Euro na televisão tcheca.

Nestes tempos de crise, "posso dizer que fizemos a melhor escolha possível", declarou este europeu convicto que considera a moeda única um escudo contra os efeitos da crise global.

Desde a vitória da direita liberal (ODS) nas legislativas de 2006, a República Tcheca por sua vez adiou a entrada na zona do Euro apostando em sua independência monetária para apoiar seu desenvolvimento econômico e, depois, para melhor resistir à crise.

Durante muito tempo surdo aos apelos dos industriais locais que viram suas exportações sofrerem com o vigor da moeda do país, a coroa tcheca, o governo pilotado pelo primeiro-ministro liberal Mirek Topolanek decidiu finalmente fixar a data para a passagem ao euro: 1º de novembro deste ano.

"Pedi ao ministro das Finanças para preparar um plano de convergência até outubro", anunciou Topolanek nesta quinta-feira citando, também, o próximo lançamento de um plano nacional de luta contra a crise.

Até o momento fiéis à sua política de não-intervenção, os dirigentes tchecos recusaram a ajuda direta ou indireta do Estado a empresas em dificuldade, seja no setor automobilístico ou no de produção de cristais.

Ao contrário, a Eslováquia "colocou em prática desde 2006 uma política de um Estado forte, não de um mercado milagroso que vai resolver tudo", destacou o premier eslovaco nesta quinta-feira.

"A regulação e o controle pelo Estado são importantes na luta contra a inflação", disse Fico.

Para ele, o euro será um argumento a mais para convencer os investidores estrangeiros a escolherem a Eslováquia.

Nos últimos anos, a fiscalização mais branda e a legislação favorável aos empregadores permitiram ao país beneficiar-se de um crescimento vigoroso, com um resultado invejável de 7,4% previsto para 2008. Para Fico, o mérito pertence aos "eslovacos que trabalharam duro por salários bem afastados do nível do registrado nos países europeus mais avançados".

Já a coalizão liderada por Topolanek, na República Tcheca, chegou ao poder com a promessa de acelerar as reformas. Mas a fragilidade da coalizão de centro-direita formada em janeiro de 2007 após difíceis negociações políticas não permitiu manter o programa previsto. O país trabalha com um crescimento de mais de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2008.

Os dois países saídos do bloco soviético conheceram juntos a queda do comunismo em 1989, e aderiram cada um por sua vez à União Européia em 2004.

A partir daí, os eslovacos já ratificaram o tratado de Lisboa. Os tchecos só o farão em fevereiro próximo.

É então com a dupla deficiência de não pertencer à zona do Euro e de não ter-se pronunciado ainda sobre o Tratado de Lisboa que Praga assumiu nesta quinta-feira a presidência de turno da União Européia.

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