Tbilisi afirma ter retomado o controle da Ossétia do Sul após violentos combates

A Geórgia afirmou na noite desta sexta-feira ter retomado o controle de quase toda a república separatista da Ossétia do Sul, onde violentos combates deixaram mais de 1.400 mortos, segundo o presidente osseta, Eduard Kokoity.

AFP |

"Controlamos totalmente Tskhinvali", a capital desta região separatista, declarou o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili. A afirmação é contestada pela porta-voz do governo rebelde, Irina Gagloyeva, segundo a qual Tskhinvali está sob o controle das forças ossetas.

As forças georgianas "controlam todo o território da Ossétia do Sul, com exceção de Djava", uma localidade ao norte de Tskhinvali, disse Saakashvili em pronunciamento transmitido pela televisão, destacando que 30 soldados georgianos morreram nos combates.

Depois da ofensiva georgiana lançada na madrugada desta sexta-feira, russos e georgianos se enfrentaram pelo controle da república separatista, que proclamou sua independência de Tbilisi no momento da queda da União Soviética, em 1991, e tem o apoio de Moscou.

A Rússia enviou nesta sexta-feira vários reforços militares à Ossétia do Sul, constatou uma jornalista da AFP. Dezenas de tanques e caminhões russos foram vistos circulando na estrada que liga Vladikavkaz (capital da república russa da Ossétia do Norte) a Djava.

"Pouco mais de 1.400 pessoas morreram na Ossétia do Sul. Esta informação ainda será verificada, mas é um número baseado em informações transmitidas por parentes" de vítimas, declarou o presidente Kokoity.

Além disso, mais de 10 soldados das forças de manutenção da paz morreram em Tskhinvali na ofensiva georgiana, segundo o ministério russo da Defesa.

Tbilisi acusou a Rússia de ter bombardeado várias cidades e bases militares no território georgiano.

Segundo um correspondente da AFP, os aviões russos bombardearam Gori, a cidade onde nasceu o ex-ditador soviético Joseph Stalin.

Neste contexto, a Geórgia decidiu repatriar metade de seu contingente no Iraque, ou seja, cerca de mil homens, para "enfrentar a intervenção militar russa" na Ossétia do Sul, declarou à AFP o secretário do Conselho de segurança georgiano, Alexander Lomaya.

As autoridades georgianas também reforçaram significativamente seu contingente militar na fronteira com a Abkázia, outra república separatista da Geórgia.

"Percebemos que a Geórgia aumentou de forma significativa sua presença militar na fronteira com a Abkázia nas últimas 24 horas", afirmou um alto representante deste território, Ruslan Kichmariya.

"Esperamos provocações do lado georgiano", acrescentou.

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, avisou em Pequim, onde assistiu à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, que a ofensiva militar lançada por Tbilisi provocará "medidas de retaliação".

A Rússia anunciou a interrupção de todas suas ligações aéreas com a Geórgia a partir da meia-noite de sábado (horário local).

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) pediu a abertura de um "corrredor humanitário" na Ossétia do Sul para retirar os feridos.

No âmbito internacional, os apelos a um cessar-fogo se multiplicaram durante todo o dia.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, conclamou a Rússia a "respeitar a integridade territorial da Geórgia" e a "retirar suas tropas de combate do território georgiano", em comunicado publicado pelo departamento de Estado.

As forças russas de manutenção da paz vão ficar na Ossétia do Sul, declarou na noite desta sexta-feira o comandante Marrat Kulakhmetov, citado pela agência Interfax.

Os Estados Unidos, a União Européia (UE) e a Organização pela Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) enviarão uma delegação conjunta para tentar obter um cessar-fogo na Ossétia do Sul, anunciou a presidência francesa da UE.

Em Nova York, o Conselho de Segurança da ONU se reuniu novamente para tentar encontrar uma solução à crise.

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