A taxa de participação nas eleições legislativas de domingo no Iraque chegou a 62,4%, anunciou nesta segunda-feira a Comissão Eleitoral, apesar da violência registrada no país.

A taxa, no entanto, é menor do que a registrada nas primeiras legislativas, em 2005, após Saddam Hussein, quando a participação chegou a 76%.

Participação elogiada

A comunidade internacional saudou no domingo a coragem dos eleitores que desafiaram a violência e compareceram em massa às urnas, no Iraque, mas o presidente americano Barack Obama advertiu para dias ainda "muito difíceis" no país.

Durante um pronunciamento no Jardim das Rosas da Casa Branca, Obama qualificou o pleito de "etapa importante" para a história do Iraque, louvando "a forte participação" popular, apesar da violência que fez pelo menos 38 mortos e 110 feridos.


Iraquianas exibem dedo pintado após votação / AP

"Sabemos que o Iraque enfrentará dias muito difíceis e que haverá, provavelmente mais violência", advertiu o presidente, destacando que "como país soberano e independente, o Iraque deve ter liberdade de escolher seu próprio caminho".

O secretário americano de Defesa, Robert Gates, estimou domingo que "as forças de segurança iraquianas efetuaram uma performance soberba e que a participação foi tão forte, senão maior do que a esperada". "No final das contas, foi um dia bom para os iraquianos e para nós", comentou, a bordo de um avião militar americano.

Um pouco mais cedo, o presidente Barack Obama felicitou o povo do Iraque pela votação. "Tenho um grande respeito pelos milhões de iraquianos que não se deixaram intimidar pela violência e exerceram o seu direito de votar hoje", indicou.

"Lamentamos as trágicas perdas de vidas humanas e saudamos hoje a coragem e a vontade dos iraquianos que desafiaram as ameaças para fazer com que sua democracia avance", acrescentou, considerando que "a participação mostra que o povo iraquiano escolheu construir o seu futuro pelo caminho do processo político".

Elogios no exterior

A União Europeia (UE), através de sua representante diplomática Catherine Ashton, também saudou domingo o "número significativo" de iraquianos que participaram das legislativas, apesar dos atentados, estimando que a taxa "merecia respeito".


Iraquianos são revistados na porta de local de votação / AP

O ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner disse que a "mobilização é prova da vontade do povo iraquiano de virar a página de suas dificuldades do passado, de sua rejeição ao terrorismo, e de sua determinação em construir um Iraque democrático que olhe para o futuro".

O representante especial da ONU no Iraque, Ad Melkert, considerou que as eleições legislativas no país se desenvolveram de forma "bem transparente". "Estão reunidas as condições para que o processo responda aos critérios esperados", acrescentou.

Ataques durante eleição

Disparos de obuses de morteiro e de foguetes e vários atentados a bomba mataram 38 pessoas e deixaram 110 feridos, mas não impediram a formação de longas filas nos centros de votação.


Mulheres lamentam morte de parentes em atentado em Bagdá / AP

Estas eleições são consideradas cruciais para a estabilidade do país a seis meses do início da retirada das tropas americanas e a menos de dois anos da retirada total.

Os Estados Unidos dispõem, atualmente, de 96.000 soldados no país e preveem retirar suas tropas de combate até agosto, deixando 50.000 homens, até a retirada definitiva, no final de 2011.

* Com EFE e AFP

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