Rio de Janeiro, 4 abr (EFE).- O ministro da Justiça, Tarso Genro foi consultado nesta sexta-feira sobre se o Governo do presidente colombiano Álvaro Uribe deu ao Brasil informação sobre as atividades das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território brasileiro.

"É necessário deixar bem claro que as Farc não são assunto brasileiro. Qualquer tentativa de envolver o Brasil com o conflito com as Farc vai fracassar categoricamente", afirmou Genro durante um encontro com correspondentes estrangeiros no Rio de Janeiro.

O Governo brasileiro mantém "troca de informação" com a Colômbia da mesma forma que com todos os países, explicou o ministro.

Genro também rejeitou o que qualificou como uma "tendência" a pretender internacionalizar o Plano Colômbia.

"Há uma tendência a 'latinoamericanizar' o Plano Colômbia, e isso não vai funcionar com o Brasil. Temos uma relação de alto nível com o Estado colombiano e permanentemente nos colocamos à disposição do país para mediar entre as Farc e o Governo", disse.

Genro afirmou que essa posição não obriga o Brasil "a manter nenhum julgamento a respeito de como as Farc devem ser combatidas ou assimiladas pela democracia colombiana".

"Mas não aceitamos que as Farc se transformem em um assunto brasileiro ou latino-americano. As Farc são um assunto da Colômbia e a América Latina deve ser solidária com esse Estado para que o conflito se resolva", acrescentou.

Genro também disse compartilhar da opinião do líder cubano Fidel Castro sobre a situação colombiana e, além disso, elogiou a posição do Governo de Uribe.

"Em uma longa conversa, durante a qual devo ter falado cinco minutos, Fidel Castro respondeu que sua opinião sobre as Farc e o conflito colombiano é a paz, porque segundo sua experiência, não há solução militar", narrou Genro.

"Tem que existir conciliação. O presidente Uribe é um homem de direita, mas um homem sério, com o qual é possível negociar e que quer efetivamente a paz", prosseguiu Genro citando o ex-presidente cubano.

Genro não especificou em que data conversou com Fidel sobre o assunto, mas se referiu a ele como o então "presidente" cubano, cargo deixado em julho de 2006.

Sobre as atividades das Farc nas fronteiras com o Brasil e sua relação com traficantes de drogas brasileiros, disse que o Governo não conhece a exata dimensão desse problema.

"A relação do tráfico de drogas com as Farc são conhecidas e divulgadas internacionalmente", disse em referência à cobrança de impostos "que as Farc faziam, e provavelmente ainda fazem, aos traficantes que trabalhavam em seu território".

Na fronteira brasileira com a Colômbia, atualmente, existem algumas tensões "em relação aos vínculos do tráfico de drogas com as Farc" e esse é um assunto combatido pela Polícia Federal, segundo Genro. EFE ol/mac/fb

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