Taro Aso, um nacionalista sedutor, porém impopular

O primeiro-ministro japonês Taro Aso, que anunciou sua saída da presidência do Partido Liberal Democrata (PLD, direita) após a derrota para a oposição nas eleições deste domingo, é um nacionalista, defensor da identidade e da cultura do Japão e convencido do papel exemplar de seu país na Ásia, mas que apesar de seus discursos sedutores não conseguiu manter por muito tempo a simpatia de seus compatriotas.

AFP |

Depois de três tentativas, vãs, em 2001, em 2006 e em 2007, Aso finalmente foi eleito para a liderança do governo pelo Parlamento em setembro de 2008, após ter chegado à presidência do PLD, grande formação onipotente no Japão há mais de meio século, quase sem interrupção.

A opinião pública via então nesse político a autoridade para substituir seu antecessor, Yasuo Fukuda, um chefe de governo criticado, que jamais conseguiu se impor face a uma oposição agressiva.

Com postura populista, Aso era visto pelos membros de seu partido como o melhor pretendente ao posto, capaz de recuperar a popularidade do PLD antes das eleições legislativas.

Mas o espetacular agravamento da situação econômica mundial, que mergulhou o Japão na pior recessão econômica atravessada pelo país desde a Segunda Guerra Mundial, complicou o cenário.

Os japoneses rapidamente condenaram o seu estilo de vida luxuoso, enquanto o país se afundava na crise.

Apesar dos custosos planos de relançamento da economia, Aso, que esperava que seu passado de empresário (negociador de diamantes, rico herdeiro da fábrica de cimento Aso Cement) pesaria a seu favor, não conseguiu convencer as pessoas de sua capacidade de retirar o país da crise.

Alvo constante da imprensa por suas gafes e por seus erros de leitura de kanji (ideogramas), esse ex-campeão de tiro ao alvo, que representou o Japão nos Jogos Olímpicos de Montreal de 1976, rapidamente gastou seus cartuchos, sem conseguir subir nas pesquisas, nas quais ficou estagnado há meses com cerca de 20% de opiniões favoráveis.

Aso, que conquistou uma reputação de "falcão" na política externa durante a sua passagem pela liderança da diplomacia do país entre 2005 e 2007, é um amante da "cultura popular" japonesa (manga, moda, videogames, música).

Esse católico de 68 anos, que estudou nos Estados Unidos e em Londres, é neto do primeiro-ministro Shigeru Yoshida (1946-1947 e 1948-1954), e genro de um outro ex-chefe de governo, Zenko Suzuki (1980-1982).

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