Patricia Souza. Tóquio, 22 set (EFE).- O governamental Partido Liberal-Democrata (PLD) do Japão elegeu hoje o ex-ministro de Exteriores Taro Aso como seu novo líder e futuro chefe de Governo para conservar o poder que mantém desde 1955 em eleições iminentes.

Aso, um carismático político de 68 anos com fama de "falcão", foi eleito hoje presidente do PLD e na próxima quarta será ratificado pelo Parlamento como primeiro-ministro em substituição ao impopular Yasuo Fukuda, de 72 anos, que durou apenas um ano no cargo.

Como se esperava, a vitória de Aso foi tranqüila, com mais de 66% de apoio dentre os 527 políticos de seu partido com direito a voto, enquanto seus quatro rivais, maior número desde 1970 em eleição interna do PLD, receberam porcentagens mínimas.

O segundo mais votado, o ministro da Economia, Kaoru Yosano, obteve 66 votos (12,5% do total), enquanto a única mulher que deseja governar o Japão, Yuriko Koike, não chegou a 9%.

Esta foi a terceira vez em apenas dois anos que o PLD designou em votação interna o primeiro-ministro do Japão, pois os Governos de Shinzo Abe e Fukuda duraram somente um ano cada um após renúncias repentinas.

O Parlamento agora deve ratificar Aso dentro de dois dias como primeiro-ministro em sessão extraordinária, uma vitória garantida graças à maioria do bloco governamental na Câmara Baixa.

O Senado, controlado pela oposição, votará contra, mas neste caso prevalece o resultado da Câmara Baixa por prerrogativa constitucional.

Espera-se que em questão de dias, provavelmente na próxima semana, Aso antecipe para 26 de outubro ou 9 de novembro as eleições gerais que deviam ser realizadas em setembro de 2009.

Após perder força durante um ano com o Governo de Fukuda, que chegou a ter porcentagens de apoio por volta de 20%, o PLD quer aproveitar o novo líder para convocar eleições gerais e se impor diante de uma oposição que cresceu há um ano, quando passou a controlar o Senado.

Depois de conseguir hoje a Presidência do PLD, Aso, neto do ex-primeiro-ministro Shigeru Yoshida, sugeriu que haverá eleições em breve ao ressaltar que sua missão terminará quando derrotar o opositor Partido Democrático (PD) em eleições gerais.

"Quando ganharmos as eleições, terei cumprido minha missão", disse diante dos políticos de seu partido, que usavam, em sua maioria, roupas cinzas e cabelos brancos, hábito na política japonesa.

No entanto, o futuro político da segunda maior economia do mundo é incerto.

A oposição, liderada por Ichiro Ozawa, um ex-membro do PLD de 66 anos, poderá ganhar as eleições, mas Taro Aso também poderá vencê-la e manter seu partido no poder durante pelo menos mais cinco anos.

O PLD está no Governo desde 1955 e só deixou o poder em um curto período de tempo - entre 1993 e 1994 -, mas agora a oposição tem uma oportunidade real por causa da grande impopularidade dos Governos de Abe e de Fukuda.

A maior diferença entre ambos os partidos está na política externa, pois o PD se opõe ao apóio aos Estados Unidos em suas missões militares relacionadas à "guerra contra o terrorismo", enquanto é certo que Aso não mudará o governo diplomático do Japão.

Pertencente a uma conhecida dinastia de políticos e descendente da família imperial, Aso tem a reputação de ser muito polêmico e por vezes deixou alguns poderosos vizinhos furiosos, como a China, a quem chamou de "ameaça militar".

Por suas posturas conservadoras, Aso é associado mais a Abe, de quem foi ministro de Exteriores, do que a Fukuda, que mantém boa relação com a China, embora os analistas japoneses tenham dito que nas últimas semanas as declarações de Aso foram mais contidas.

Mesmo assim, durante a campanha, soltou outra pérola pela qual teve de pedir perdão, quando se dirigindo ao público de Nagóia se mostrou satisfeito por recentes inundações não terem afetado a cidade, como aconteceu com a vizinha Okazaki. EFE psh/fh/fal

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