Taro Aso assume Governo do Japão em meio a dúvidas sobre sua duração no cargo

Patricia Souza. Tóquio, 24 set (EFE).- O carismático e polêmico Taro Aso foi eleito hoje primeiro-ministro do Japão no comando de um Governo continuísta com sobrenomes conhecidos da política japonesa, apesar de a grande incógnita agora ser por quanto tempo o novo chefe do Executivo permanecerá no cargo.

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Aos 68 anos, este ex-ministro de Exteriores de caráter conservador, católico, loquaz e com fama de nacionalista conseguiu em sua quarta tentativa repetir o feito de seu avô, o ex-primeiro-ministro Shigeru Yoshida (que Governou entre 1946 e 1947, e entre 1948 e 1954), e entrar para a história do Japão.

Aso, eleito na segunda-feira presidente do Partido Liberal-Democrata (PLD), foi proclamado hoje chefe do Governo por maioria de votos na Câmara Baixa, cujo resultado prevaleceu sobre a votação contrária no Senado, dominado há um ano pela oposição.

A votação na Câmara Baixa foi de 337 votos para Aso e 117 para Ichiro Ozawa, de 66 anos e líder do opositor Partido Democrático (PD), que será a principal dor de cabeça do novo Governo.

Pela terceira vez em dois anos a população japonesa cumpriu o ritual de acompanhar pela TV seus 478 representantes da Câmara Baixa e 240 membros do Senado votando em um candidato a primeiro-ministro que não passou anteriormente pelas urnas.

Aso substitui Yasuo Fukuda, de 72 anos, segundo chefe de Governo japonês a renunciar - a exemplo de Shinzo Abe - de maneira surpreendente após menos de um ano no cargo, por causa da dificuldade de dirigir o partido e impor suas políticas por causa do bloqueio opositor no Senado.

Os rumores na política japonesa dão conta de que Aso não esperará o fim de seu mandato em setembro de 2009 e convocará eleições imediatamente, previsivelmente para o fim de outubro ou começo de novembro, para tentar se garantir no poder em um momento no qual seu partido é extremamente impopular.

Ozawa tem uma grande oportunidade de promover uma reviravolta histórica na política japonesa e tomar do PLD um poder que conserva quase ininterruptamente desde 1955, apesar de o eleitorado parecer dividido e as pesquisas afirmarem que tudo pode acontecer.

Após ser proclamado primeiro-ministro pela Dieta (Parlamento), Aso nomeou hoje o Governo antes de participar de uma cerimônia solene na Casa Imperial e partir para Nova York, onde participará da Assembléia Geral da ONU.

Cinco membros do Governo anterior permanecem no novo Gabinete, que traz ainda duas ministras mulheres e, principalmente, destaca sobrenomes que dominaram a política japonesa em décadas passadas: há vários filhos de ministros e também netos de primeiro-ministro.

Entre as caras conhecidas o destaque é a permanência no cargo do ministro da Economia, o respeitado Kaoru Yosano, de 70 anos, rival de Aso na disputa pelo posto de primeiro-ministro. Além dele, o titular do Trabalho, Yoichi Masuzoe, continua na pasta.

Como vem sendo habitual nos últimos Governos japoneses, há apenas duas mulheres ministras: Seiko Noda, que continua à frente da pasta de Ciência e Consumo, e Yuko Obuchi - filha de um ex-chefe de Governo -, que será encarregada do Ministério da Natalidade e, aos 34 anos, é a ministra mais jovem da história do Japão.

Outro dos rivais de Aso na disputa pela Presidência do PLD, o ex-titular da Defesa Shigeru Ishiba, de 56 anos, se encarregará da Agricultura.

Já Yuriko Koike, adversária mais midiática do novo primeiro-ministro nas últimas eleições internas do partido e primeira mulher a concorrer ao Governo do Japão, ficou de fora do novo Gabinete.

O ex-ministro da Justiça, Kunio Hatoyama - que assinou recentemente 13 sentenças de morte -, foi designado titular de Interior, enquanto outro velho conhecido do PLD, Shoichi Nakagawa, ficará com a pasta de Finanças.

O responsável pela diplomacia japonesa será Hirofumi Nakasone, de 62 anos, filho do conhecido ex-primeiro-ministro Yasuhiro Nakasone, enquanto o homem forte do novo Governo, ou ministro porta-voz, é Takeo Kawamura.

"É uma época difícil, por causa da situação financeira e de outros assuntos. Sinto novamente uma grande responsabilidade", declarou hoje o novo primeiro-ministro japonês. EFE psh/ev/fal

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