Tanques invadem palácio presidencial em Madagascar

Cerca de cem soldados, acompanhados por tanques, invadiram e ocuparam nesta segunda-feira um dos palácios do presidente de Madagascar, Marc Ravalomanana. A invasão teve início com explosões e disparos de armas de fogo dentro do complexo onde fica o palácio.

BBC Brasil |

AFP
Soldados invadem palácio do presidente de Madagascar Marc Ravalomana

Ravalomanana não se encontrava no local, mas sim em um outro palácio, a cerca de 15 quilômetros do centro da capital, Antananarivo.

O presidente teve sua prisão pedida pelo líder da oposição, Andry Rajoelina, que tem o apoio do autodeclarado novo chefe das Forças Armadas do país.

A União Africana condenou o que descreveu como um "golpe de Estado" e pediu que a Constituição de Madagascar seja respeitada.

Correspondentes dizem que foi possível escutar o som de disparos, presumidamente de soldados celebrando a tomada do palácio presidencial. Os militares também ocuparam a sede do Banco Central de Madagascar.

Após ser reeleito presidente, em dezembro de 2006, Ravalomanana abriu a economia do país para investimentos externos, mas correspondentes dizem que a medida não melhorou significativamente os indicadores sociais no país, onde 70% dos 20 milhões de habitantes vivem abaixo da linha da pobreza.

Desde janeiro, a queda de braço entre o presidente e o líder da oposição, Andry Rajoelina, que era prefeito da capital, já deixou mais de cem mortos.

No final de janeiro, Rajoelina - um ex-DJ de 34 anos de idade - rompeu com o presidente e foi afastado do governo de Antanarivo por Ravalomanana, o que levou a um aumento dos protestos.

Na semana passada, o Exército passou a apoiar Rajoelina após o chefe das Forças Armadas ter sido substituído pelo general rebelde Andre Ndriarijaona.

"Defendemos o povo de Madagascar", disse o general. "Se Ravalomanana pode resolver o problema, nós o apoiamos."
No início da segunda-feira, o presidente havia proposto uma consulta popular para resolver o impasse, mas Rajoelina recusou a proposta, dizendo que "o povo está sedento por mudanças". "Por isso, não faremos um referendo, mas instalaremos um novo governo transitório", afirmou.

Correspondentes dizem que o líder da oposição se declara um defensor da democracia, apesar de trabalhar para substituir um governo democraticamente eleito por um que não foi escolhido pelo voto da população de Madagascar.

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