Tamanho do estrago no Haiti é desconhecido; promessas de ajuda se multiplicam

Redação Central, 12 jan (EFE).- O forte terremoto que sacudiu hoje o Haiti causou a destruição de vários edifícios e muito provavelmente numerosas vítimas fatais, mas também uma onda de solidariedade com o país mais pobre da América, embora ainda não se conheça a magnitude dos danos.

EFE |

O colapso das telecomunicações impede por enquanto saber com exatidão os efeitos do sismo de 7 graus na escala Richter e suas três réplicas, de 5,9, 5,5 e 5,1 graus. Entretanto, pouco a pouco, em parte graças à internet, às redes sociais e às fotos tiradas por haitianos com telefones celulares, vai surgindo uma ideia da situação, que é particularmente grave em Porto Príncipe, capital.

"Acho que vamos ver danos substanciais e muitas vítimas", declarou hoje à imprensa Don Blakeman, analista do Serviço Geológico dos EUA (USGS, pela sigla em inglês).

Entre os edifícios que caíram está a sede das Nações Unidas no Haiti, segundo confirmaram à agência Efe fontes da ONU, e um hospital, segundo informaram diversas fontes.

Um funcionário haitiano relatou ao embaixador de seu país em Washington, Raymond Joseph, que "as casas caíram dos dois lados das ruas", segundo disse o diplomata à "CNN", canal que informou que o palácio presidencial de Porto Príncipe foi parcialmente destruído.

Joseph manifestou que o presidente Rene Préval e a primeira-dama estão a salvo e fez uma chamada à comunidade internacional para que ajude a seu país. Imediatamente, países como a Venezuela, República Dominicana e Estados Unidos já confirmaram apoio.

O capitão Carlos Vinces, chefe do contingente peruano nas forças da ONU (Minustah) no Haiti, informou ao "Canal N" de televisão a cabo do Peru que "há muitas instalações e prédios derrubados".

O epicentro do terremoto mais forte, registrado às 19h53 de Brasília, estava a apenas 15 quilômetros da capital.

"É possível que haja milhares de mortos", disse, por sua parte, Karel Zelenka, dos Serviços Católicos de Ajuda, direto de Porto Príncipe, antes que fossem cortadas as comunicações com a capital, segundo relatou um porta-voz da entidade em Washington.

Zelenka também disse que "o caos e o desastre é total e que Porto Príncipe esta coberta por uma nuvem de pó".

O aeroporto de Porto Príncipe ficou fechado após o terremoto, informaram à Efe em Santo Domingo fontes da Caribair, principal companhia aérea dominicana, que voa ao Haiti.

As comunicações por telefone ficaram também interrompidas após o abalo.

Segundo testemunhos levantados em Santo Domingo por familiares e amigos de residentes no Haiti, o tremor causou danos em numerosos edifícios da capital haitiana, como supermercados e hotéis.

De acordo com estas pessoas, a catedral da cidade caiu, o palácio presidencial sofreu danos e é praticamente impossível circular de automóvel pelas ruas, invadidas pelos escombros.

O sismo foi sentido na República Dominicana e no leste de Cuba, e chegou a dar origem a um alerta de tsunami nos dois países, Haiti e Bahamas, embora horas depois tenha sido cancelado pelo Centro de Alertas de Tsunami do Pacífico, situado no Havaí.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, enviou uma mensagem de solidariedade aos haitianos após o "terremoto devastador" e se declarou "muito preocupado" e atento aos eventos.

Por sua parte, o enviado especial da ONU para o Haiti, o ex- presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, expressou sua disposição para "fazer tudo o que seja necessário" para ajudar o povo haitiano.

Além disso, a porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA), Stéphanie Bunker, disse à agência Efe que foram iniciados os preparativos para enviar a Porto Príncipe uma equipe da unidade de Coordenação e Avaliação de Desastres das Nações Unidas (UNDAC).

A Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) informou que vai enviar um primeiro destacamento de ajuda humanitária ao Haiti, composto por 72 pessoas, 6 equipes de rastreamento com cães e 48 toneladas de material de resgate.

Além disso, o Pentágono avalia a localização de seus navios nas proximidades do Haiti para seu possível envio ao país caribenho, disse à Efe uma fonte militar.

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, anunciou hoje o envio ao Haiti de uma brigada que "tem como objetivo, em primeiro lugar, ajudar a salvar vidas e, em segundo lugar, reparar as linhas do serviço elétrico haitiano que, segundo disse, "é muito frágil".

A Cruz Vermelha dos EUA prometeu uma ajuda inicial de US$ 200 mil para as comunidades afetadas pelo forte terremoto, e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciou uma doação imediata de igual valor, para fornecer "alimentos, água, remédios e refúgio".

A ONG Oxfam Internacional indicou que os danos causados pelo terremoto ocorrido no Haiti podem ser muito grandes, enquanto descreveu como "caótica" a situação da ilha caribenha, segundo testemunhos de seu pessoal nesse país.

"A Oxfam tem sua equipe de resposta a emergências no Haiti, com equipamentos de saúde pública e saneamento e água em Porto Príncipe preparados para ajudar. Também dispomos no Panamá de assistência para enviar assim que for possível", acrescentou Jane Cocking, membro da direção da organização.

Os Governos da Colômbia, Canadá, Panamá e o presidente eleito de Honduras, Porfirio Lobo, também prometeram ajudar o Haiti neste momento. EFE ar/fm

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