Talibãs têm presença em 72% do Afeganistão

Londres, 8 dez (EFE).- Os insurgentes talibãs conseguiram uma presença permanente em 72% do território do Afeganistão e se aproximam de Cabul, assinala hoje um relatório do Conselho Internacional de Segurança e Desenvolvimento (Icos).

EFE |

Este grupo de pensamento think tank britânico - conhecido antigamente como Senlis Council-, ressalta que há um ano a presença dos talibãs alcançava 54% do território, mas no último ano passou a 72%.

A extensão geográfica dos insurgentes mostra que "as estratégias política, militar e econômica dos talibãs têm mais sucesso que as do Ocidente", acrescenta o conselho, dedicado à análise da segurança global.

O documento critica a comunidade internacional pelo "fracasso" em atender a situação de segurança, que levou ao país asiático à beira do precipício, diz.

Segundo o texto, a Força Internacional de Assistência à Segurança no Afeganistão (Isaf), que conta com 50 mil homens, teria que aumentar em milhares de soldados para conseguir modificar a situação nesse país.

O Icos, com escritórios em Paris, Bruxelas e Rio de Janeiro, acredita que os EUA e seus aliados foram ingênuos já que permitiram o retorno dos talibãs após a intervenção militar de 2001.

"Enquanto as perspectivas da comunidade internacional no Afeganistão nunca foram mais frágeis, os talibãs experimentaram um renascimento que ganhou força em 2005", indica.

"De acordo com a investigação realizada pelo Icos durante este ano, os talibãs têm agora uma presença permanente em 72% do país.

Mais ainda, é visto agora como o Governo de fato em povoados e cidades do sul", acrescenta o texto.

Dos quatro caminhos que unem Cabul ao resto do território, só um -o do norte- é considerado seguro para viajar, enquanto o do sul é bastante inseguro, especifica o Icos.

As pessoas que viajam pelo caminho do leste estão em perigo, percorrida uma hora do trajeto, enquanto na estrada do oeste o risco começa com apenas meia-hora de percurso.

"Ao bloquear as portas da cidade desta maneira, os insurgentes talibãs estão colocando uma corda ao redor da cidade e estabelecendo bases em volta da cidade das quais podem lançar ataques", afirma o documento.

O Icos afirma que se cometeram ataques com bombas, assassinatos e seqüestros de afegãos e estrangeiros na mesma Cabul.

"Os talibãs estão ditando os termos no Afeganistão, tanto políticos quanto militares", assinala.

O texto especifica que não se pode estabelecer a segurança em 72% das áreas onde os talibãs têm presença devido à "agilidade" e "unidade de propósito" dos insurgentes.

"A incapacidade dos atores internos e internacionais para resistir aos insurgentes no Afeganistão é profundamente preocupante, e o fracasso dos políticos da Otan para entender a realidade da situação de segurança no Afeganistão levou ao país e ao Governo de (Kamid) Karzai a um precipício", diz o texto.

"Levará mais uma derrota militar dos talibãs para construir a confiança, especialmente nas províncias do sul", acrescenta.

Na opinião do grupo, é necessário unificar o comando das forças aliadas, ampliar a reconstrução a zonas rurais e apoiar a democracia em nível local.

"A insurgência segue transformando a fraqueza da Otan em sua própria fortaleza", ressalta o Icos. EFE vg/jp

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