Talibãs rejeitam oferta conciliadora e pedem retirada das tropas

Cabul, 16 jul (EFE).- Os talibãs rejeitaram hoje renunciar às armas, como ofereceu a uma parte deles a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e exigiram de novo a retirada imediata e incondicional das tropas estrangeiras no Afeganistão.

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"Não aceitaremos nenhum títere nem sua Constituição. Não deporemos as armas e continuaremos com a 'jihad' enquanto as forças estrangeiras continuarem presentes no Afeganistão", disse à agência afegã "AIP" o porta-voz talibã Mohamad Yousef Ahmadi.

A insurgência reagiu assim às palavras de Hillary, que, em seu primeiro grande discurso sobre política externa, disse ontem que os EUA darão as boas-vindas aos insurgentes que deixarem as armas, se separem da rede terrorista Al Qaeda e aceitem a Constituição afegã.

Ahmadi negou que existam talibãs moderados e radicais, como sustenta a Administração americana, que busca atrair uma parte da insurgência a um processo de reconciliação nacional.

"Não existe essa divisão entre os talibãs. Todos os talibãs têm uma mesma fé e não conseguem suportar a presença de forças estrangeiras em seu território", disse.

Outro porta-voz insurgente, Zabihullah Mujahid, disse que "nenhum afegão sensível pode abandonar as armas" e defendeu seguir com a luta contra as tropas internacionais.

"Se os EUA realmente querem a paz no Afeganistão e na região, deveriam retirar suas tropas imediatamente e sem condições", exigiu Mujahid, citado pela "AIP".

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, já sugeriu em março a possibilidade de iniciar conversas com um setor dos insurgentes, em uma estratégia semelhante à usada no Iraque, mas admitiu que o conflito afegão é mais "complexo".

Esta proposta teve o apoio do presidente afegão, Hamid Karzai, que sempre expressou seu desejo de negociar em termos mais amplos e inclusive com o líder máximo talibã, o mulá Omar.

A cúpula insurgente sempre rejeitou em público qualquer diálogo e, no ano passado, o próprio mulá Omar tachou de "propaganda" as informações na imprensa segundo as quais os talibãs tinham iniciado alguns contatos com o Governo afegão. EFE lo-amp/an

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