Talibãs prometem derrotar os EUA como fizeram com os soviéticos

Os talibãs prometeram neste domingo aos americanos uma derrota tão mordaz no Afeganistão quanto a dos soviéticos nos anos 1980, um dia depois do anúncio do envio de mais 30.000 soldados americanos ao país daqui até o próximo verão (no Hemisfério Norte).

AFP |

"A cada dia, os americanos mudam seu discurso para dissimular sua derrota. Eles querem agora ter no Afeganistão o mesmo número de tropas que os soviéticos nos anos 1980", declarou neste domingo à AFP Yousuf Ahmadi, porta-voz dos rebeldes talibãs.

"Os soviéticos enviaram o mesmo número de tropas para ocupar o Afeganistão, mas eles sofreram uma dura derrota. E quando os americanos elevarem suas tropas a este nível sofrerão da mesma forma uma ardente derrota", acrescentou Ahmadi, falando por telefone de um esconderijo em Kandahar.

A União soviética invadiu o Afeganistão em dezembro de 1979 e deixou o país quase dez anos mais tarde sem ter conseguido vencer a resistência dura dos mudjahedines (combatentes) afegãos.

Na noite de sábado, o chefe do Estado-maior americano, o almirante Michael Mullen, anunciou o envio de entre 20.000 e 30.000 soldados americanos de reforço ao Afeganistão "daqui até o próximo verão".

Esta medida praticamente duplicará o contingente americano atual no país, que está entre 30.000 e 35.000 homens.

Com os mais de 35.000 soldados de outros países que compõem a Força Internacional da Otan (Isaf), o número de soldados estrangeiros no Afeganistão chegaria a 100.000.

Eles se tornaram assim comparáveis ao número de soldados soviéticos enviados ao Afeganistão nos anos 1980: entre 100.000 e 160.000 segundo as épocas e as estimativas.

Esta ocupação em massa no entanto não bastou aos soviéticos para controlar o país, que eles finalmente deixaram após dez anos de ocupação, destacou neste domingo o porta-voz talibã.

Os americanos, mais numerosos, serão inclusive "alvos mais fáceis" para os combatentes talibãs, afirmou Ahmadi, dizendo que a decisão "estranha" de enviar reforço mostra as tergiversações dos EUA diante de um combate que lhe foge ao controle das mãos.

"A Otan e as forças da coalizão que vieram ocupar o Afeganistão enfrentam sérios problemas e derrotas pesadas, e inclusive em torno da capital Cabul, destacou Ahmadi, acrescentando que a situação, o clima e o relevo do Afeganistão estão entre os fatores que impediriam a vitória das tropas estrangeiras no país.

O anúncio americano foi feito um mês antes da posse em 20 de janeiro do presidente Barack Obama, que se comprometeu a retirar as tropas americanas do Iraque para transferir uma parte delas ao Afeganistão. Para Obama, o Afeganistão e o Paquistão vizinho formam "o frente de batalha central" da guerra americana contra o terrorismo.

A influência dos EUA no Afeganistão não se limita à sua presença militar, pois Washington garante um terço dos 15 bilhões de dólares de ajuda ao desenvolvimento oferecidos a este país desde à queda dos talibãs, cassados do poder no fim de 2001 por uma coalizão liderada pelos Estados Unidos.

O aumento regular do número de tropas estrangeiras no país não impediu a rebelião afegã, empreendida pelos talibãs e outros grupos armados, entre os quais alguns ligados à rede Al-Qaeda, de duplicar sua intensidade e ganhar terreno nos dois últimos anos.

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