Talibãs matam 31 pessoas que seqüestraram em ônibus no sul do Afeganistão

Cabul, 19 out (EFE).- O Governo do Afeganistão informou hoje que 31 civis que tinham sido feitos reféns na conflituosa província de Kandahar, no sul do país, foram assassinados pela insurgência talibã, que afirmou que todas as vítimas eram soldados afegãos.

EFE |

O porta-voz do Ministério da Defesa afegão, Zahir Azimi, explicou à Agência Efe que um grupo de insurgentes parou vários ônibus que circulavam pelo distrito de Maywand na última quinta e seqüestrou 50 pessoas, das quais pelo menos 31 foram assassinadas.

Segundo a versão de Azimi, todas as vítimas são civis.

Por outro lado, o chefe da Polícia de Kandahar, Matiullah Khan, afirmou que 40 dos seqüestrados foram levados para a região de Band-e-Timor, onde foram assassinados por seus seqüestradores, enquanto os outros dez foram libertados.

"Segundo nossa informação no local, os talibãs mataram os 40 passageiros restantes", explicou.

Khan confirmou que as forças de segurança receberam os corpos de seis vítimas que tinham sido degoladas.

No entanto, o porta-voz talibã Qari Mohammad Yousuf desmentiu à Efe a informação divulgada pelas autoridades e garantiu que "todas" as vítimas eram soldados afegãos.

Yousuf explicou que os insurgentes mataram 27 membros do Exército afegão após "prendê-los" enquanto viajavam em três ônibus de passageiros.

O porta-voz talibã assegurou que, antes de serem mortos, os assassinos comprovaram sua identidade, já que levavam documentação militar.

Yousuf disse que o assassinato foi realizado em cumprimento às ordens da cúpula talibã.

Os ataques da insurgência na província de Kandahar - ao lado de Helmand a região com maior presença talibã do Afeganistão - são freqüentes.

Nestas duas áreas, os talibãs não têm apenas sua base de operações, mas também sua principal fonte de financiamento: o cultivo do ópio.

No dia 28 de setembro os talibãs afegãos mataram com vários tiros Malalai Kakar, a mulher que tinha a mais alta graduação na Polícia do Afeganistão.

Kakar, de 41 anos, foi assassinada pelos talibãs, que não demoraram em reivindicar a autoria do ataque, quando ela seguia para o trabalho, em Kandahar.

O Exército afegão e as tropas da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf), sob comando da Organização do Tratado do Atlântico Norte, deram um duro golpe na insurgência em Helmand esta semana.

Cerca de 200 supostos talibãs morreram em operações militares que se prolongaram durante vários dias.

Na noite da última segunda pelo menos 70 supostos talibãs morreram em um ataque aéreo das forças da Otan no distrito de Baram Cha, perto da fronteira com o Paquistão.

Os combates forçaram muitas famílias a deixarem suas casas, informa o chefe de Polícia da região, Asadullah Sherzad.

Este ano, a insurgência talibã ampliou suas atividades para outras regiões do leste e do oeste do Afeganistão, inclusive em Cabul.

Segundo cálculos de jornalistas, 4,2 mil pessoas morreram este ano no Afeganistão por causa da violência no país. EFE lo/wr/fal

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