Talibãs e ativistas denunciam morte de dezenas de civis em ataque da Otan

Cabul, 7 set (EFE).- A insurgência talibã e um grupo afegão de ativistas de direitos humanos denunciaram hoje a morte de dezenas de civis no bombardeio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) à província de Kunduz, no norte do Afeganistão, no dia 4.

EFE |

Os talibãs, em comunicado em idioma pashtun enviado à imprensa, asseguraram que 100 civis morreram em decorrência do ataque aéreo, que aconteceu no distrito de Chahar Dara, há três dias.

A insurgência ofereceu uma lista de 79 das vítimas com seus nomes, idade e profissão, 27 delas menores de idade, e negou que o bombardeio tenha matado algum talibã.

"Enquanto todo mundo na zona diz que todos os mortos eram civis, a Otan e o porta-voz do regime de Cabul asseguram que o ataque matou dezenas de talibãs", afirmaram os insurgentes.

Um novo grupo afegão de direitos humanos chamado "Afghanistan Rights Monitor" (ARM) se uniu hoje às denuncias e disse ter recebido "relatórios preliminares que indicam que entre 60 e 70 não combatentes" morreram no bombardeio da Força de Segurança e Assistência Internacional (Isaf, na sigla em inglês).

"Acredita-se que homens armados morreram no ocorrido. No entanto, parece que a maioria das vítimas não era combatente. Algumas ficaram irreconhecíveis, de acordo com 15 entrevistas" realizadas com moradores da região, detalhou o organismo.

"Oficiais provinciais afegãos embarcaram em uma chocante manobra política, com o objetivo de minimizar a importância do número de mortos", denunciou o ARM, que acusou as autoridades de "tentarem justificar o elevado número de mortos fazendo-os passar erroneamente por insurgentes".

No mesmo dia do ataque, tanto o Ministério de Defesa alemão, que tem grande parte de suas tropas atuando em Kunduz, quanto fontes oficiais afegãs contabilizaram 50 mortes em consequência do ataque.

Desde o início, porta-vozes afegãos admitiram que vários civis tinham morrido, apesar de a maioria das vítimas ter sido insurgente, enquanto o Governo alemão admitiu somente hoje a possibilidade de que civis tenham morrido.

O bombardeio foi dirigido contra dois caminhões roubados pelos talibãs, que ficaram presos na areia, perto do Rio Kunduz. EFE lo-amp/pd

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