Talibãs desafiam o Paquistão a provar a morte de seu líder Baitullah Mehsud

Um alto comandante dos talibãs desafiou nesta segunda-feira o Paquistão a provar a morte do chefe dos talibãs no país, Baitullah Mehsud, e insistiu que ele continua vivo, desmentindo as informações de que teria sido morto por um míssil americano na semana passada.

AFP |

Hakimullah Mehsud, número dois dos talibãs paquistaneses, fez estas declarações por telefone à AFP.

No sábado, o ministro do Interior Rehman Malik Malik mencionou informes sobre um tiroteio entre dois altos líderes talibãs numa região remota perto da fronteira com o Afeganistão, que levaram as autoridades paquistanesas a investigar uma possível disputa interna para suceder Mehsud.

"Recebemos relatórios de que houve uma luta entre Wali-ur Rehman e Hakimullah. Dizem que um deles está morto. Não posso revelar o nome, ainda estamos verificando a informação", declarou.

Os dois homens teriam se desentendido numa reunião do comando talibã na região tribal do Wazaristão do Sul para escolher o provável sucessor de Baitullah Mehsud.

Um dos homens envolvidos na disputa seria Hakimullah Mehsud, o vice de Mehsud e porta-voz do senhor da guerra. Já o outro, Wali-ur Rehman, é o principal comandante do movimento de Mehsud conhecido como Movimento de Talibãs do Paquistão (TTP).

"Rehman Malik está difundindo informações falsas à imprensa, utilizando-a como um brinquedo. Estou vivo e provo que estou vivo, apesar dos rumores do governo de que houve uma troca de tiros pela sucessão de Baitullah", afirmou Hakimullah à AFP.

O serviço de inteligência paquistanesa afirma que Baitullah está morto, mas membros dos talibãs asseguram à imprensa que está vivo, apesar de não apresentar provas.

Hakimullah afirmou que Baitullah está apenas "um pouco doente".

"Amir sahib (Baitullah) está vivo. Está saudável e falará com a imprensa em breve. Não houve sucessão. Não houve shura" (reunião para eleger o próximo líder), afirmou.

"Ele (o ministro do Interior) nos desafiou a provar que Baitullah está vivo. Eu estou provando que estou vivo. Agora o governo deve provar que Baitullah está morto", enfatizou.

O conselheiro de Segurança Nacional do presidente Barack Obama, general James Jones, afirmou que os Estados Unidos consideram que o líder talibã está morto e que esse golpe causa confrontos internos entre os rebeldes.

"Acreditamos nisso", disse Jones, um general da reserva. "O governo paquistanês acredita que tenha morrido e todos os sinais que temos sugerem isso", acrescentou.

O governo do Paquistão mantém uma prudente atitude de satisfação em relação à suposta morte do chefe talibã, apesar das dúvidas que ainda pairam sobre essa notícia que implica um duro golpe contra os rebeldes.

"Temos sólidas provas da morte de Baitullah Mehsud, mas a situação vai ser esclarecida nas próximas 48 horas", insistiu Malik.

Segundo autoridades paquistanesas e habitantes do Waziristão do Sul (noroeste), reduto de Baitullah Mehsud, este último teria sido morto na quarta-feira em um ataque de avião sem piloto americano que também matou sua segunda mulher.

A morte de Baïtullah Mehsud seria uma vitória importante nos combates realizados por Islamabad e seu aliado morte-americano contra os rebeldes do noroeste do país.

Mehsud, de 35 anos, foi educado em uma escola religiosa de Miranshá, principal cidade do Waziristão do Sul; viajou para o Afeganistão na década de noventa para lutar junto aos talibãs na guerra civil.

Até sua volta ao Paquistão, os talibãs do Waziristão do Sul eram dirigidos por outro chefe da tribo, Abdullha Mehsud, que morreu em julho de 2007.

Baitullah assumiu, então, o lugar dele e criou o Movimento de Talibãs do Paquistão (Tehreek-e-Taliban Pakistan, TPP), acusado por Washington e Islamabad de estar por trás da onda de atentados suicidas que deixou mais de dois mil mortos no Paquistão, desde junho de 2007. Entre as vítimas destes ataques, está a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto.

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