Cabul, 29 abr (EFE).- Os talibãs reagiram hoje aos planos de aumento de tropas internacionais no Afeganistão com o lançamento de uma operação que prevê mais emboscadas, ataques suicidas e atentados contra soldados e o Governo afegão.

Em comunicado, o número dois da insurgência, o mulá Brodar Akhund, argumentou que "da mesma forma que os Estados Unidos e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) pretendem enviar mais tropas ao Afeganistão, os afegãos sentem também a necessidade de uma forte e robusta operação para resistir".

"Os mujahedins dos Emirados Islâmicos (nome com usado pelos talibãs para designar seu regime) lançarão uma nova operação por todo Afeganistão com o nome de 'Nasrat' (Vitória)", anunciou o mulá na mensagem, redigida em pashtun, idioma dos talibãs.

A nova ofensiva cobrirá todo o território afegão e representará "um aumento dos ataques suicidas, das bombas contra veículos e as emboscadas", detalhou Akhund.

O número dois do líder dos talibãs ameaçou também aumentar a frequência "dos ataques contra comboios militares, missões diplomáticas, oficiais do Governo e forças militares afegãs e da Otan".

O líder rebelde também aproveitou para fazer uma chamada aos afegãos e às forças de segurança para que deixem de trabalhar para o "Governo títere", termo com o qual os insurgentes se referem habitualmente ao Executivo do presidente Hamid Karzai.

"Eles sofrerão as consequências" caso não o façam, ameaçou Akhund.

Em março passado, o presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou sua nova estratégia para Paquistão e Afeganistão, que inclui o desdobramento de quatro mil soldados a mais neste último país, além dos 17 mil já anunciados anteriormente.

O plano tem como metas "desativar, desmantelar e derrotar a Al Qaeda em Paquistão e Afeganistão", e recebeu o apoio da Otan. Os países aliados se comprometeram a enviar cinco mil soldados mais.

EFE lo/rr

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