Taleban ataca delegação afegã que visitava zona de massacre

Grupo abre fogo na mesma região onde soldado americano matou 16 civis; militar afegão morre e dois ficam feridos

iG São Paulo |

Militantes do Taleban abriram fogo nesta terça-feira contra uma delegação de autoridades do Afeganistão – entre elas dois irmãos do presidente Hamid Karzai – que visitavam vilarejos no sul do país onde um soldado americano matou 16 civis . Um soldado afegão que fazia a segurança da delegação foi morto. Outros dois militares ficaram feridos.

O ataque aconteceu enquanto afegãos realizavam o primeiro grande protesto em resposta à morte dos civis, fazendo crescer os temores quanto a uma nova onda de violência no Afeganistão. No mês passado, protestos contra a queima de exemplares do Alcorão (livro sagrado dos muçulmanos) em uma base dos Estados Unidos deixaram 30 mortos, incluindo seis soldados americanos.

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AP
Afegãos protestam contra morte de civis afegãos por soldado americano em Jalalabad

A delegação de autoridades afegãs estava em uma mesquita na região de Kandahar e participavam de uma homenagem às vítimas do ataque do soldado americano, que aconteceu no domingo. De repente, os tiros começaram.

Um dos irmãos de Karzai, Qayum, disse que o ataque não parecia tão grave no início. “Estávamos expressando nossas condolências quando começamos a ouvir tiros. Achamos que era o Exército atirando para o ar”, contou.

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Antes de os tiros serem disparados, a delegação tinha começado a distribuir compensações para as famílias das vítimas (US$ 2 mil por cada morto e US$ 1 mil por cada ferido).

Um dos integrantes da delegação, o legislador Abdul Rahim Ayubi, disse que a população do vilarejo está claramente revoltada.

“O governador de Kandahar estava tentado explicar que o soldado que cometeu o ataque não estava são, estava doente”, afirmou. “Mas as pessoas gritavam, tinham muita raiva. Eles não ouviram o governador e o acusaram de defender os americanos e não o povo.”

Em Jalalabad, no leste do país, centenas de estudantes protestavam contra os EUA, queimando bandeiras e gritando frases como “Morte à America” e “Morte ao soldado”. Alguns carregavam cartazes pedindo um julgamento público do militar americano, identificado como um homem de 38 anos, casado, pai de dois filhos e com passagem pelo Iraque .

Em reação ao massacre, o Taleban prometeu vingar os 16 mortos , enquanto o Parlamento afegão exigiu um julgamento público do suspeito. A milícia, derrubada no fim de 2001 por uma coalizão internacional liderada pelos EUA e que continua sendo combatida apesar de negociações paralelas de paz, prometeu vingança contra os "americanos selvagens e doentes mentais".

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"A maioria das vítimas é de crianças inocentes, mulheres e idosos, massacrados pelos bárbaros americanos, que roubaram sem misericórdia suas preciosas vidas e mancharam suas mãos com seu sangue", diz uma nota divulgada na internet.

O Parlamento afegão, por sua vez, pediu que responsáveis tenham um julgamento público. "Pedimos firmemente que o governo americano castigue os culpados e os julgue em um processo público ante o povo afegão", afirma em um comunicado.

No entanto, o Pentágono rejeitou esse pedido, ressaltando que ele será processado pela justiça militar americana. "Existem acordos com o governo afegão no que diz respeito às investigações, e, se for o caso, os julgamentos (serão feitos) pelas vias militares americanas", disse o porta-voz do Pentágono, George Little.

Com AP

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