Taliban rejeita diálogo, e violência bate recorde no Afeganistão

Dramático aumento nos ataques nos últimos quatro dias deve pairar sobre a reunião dos líderes da aliança ocidental

Reuters |

O Taliban afegão se mantém terminantemente contrário às negociações de paz, apesar dos lentos progressos pela reconciliação, disse na segunda-feira o líder do grupo islâmico, depois de as forças da Otan sofrerem suas piores baixas nos últimos meses.

O misterioso mulá Mohammad Omar divulgou nota a apenas quatro dias de uma cúpula da Otan em Lisboa, na qual a situação do Afeganistão irá dominar a agenda.

A violência no Afeganistão já estava no seu pior nível desde que o regime Taliban foi derrubado por forças norte-americanas e locais, no final de 2001. Mas um dramático aumento nos ataques nos últimos quatro dias deve pairar sobre a reunião dos líderes da aliança ocidental.

O número de baixas civis e militares vem batendo recordes, e embora ambos os lados apregoem recentes sucessos no campo de batalha, há um crescente consenso sobre a necessidade de um acordo negociado no conflito.

Mas Omar reiterou que isso jamais será possível até que todos os soldados estrangeiros - cerca de 150 mil atualmente - deixem o Afeganistão. Segundo ele, falar em negociações é "mera propaganda".

"O traiçoeiro inimigo que ocupou nosso país está tentando, por um lado, expandir suas operações militares (...), e por outro lado quer jogar poeira nos olhos das pessoas, espalhando os rumores de uma negociação", disse Omar em nota.

O presidente afegão, Hamid Karzai, inclui um eventual diálogo com o Taliban como parte de um plano mais amplo de reconciliação, mas autoridades afegãs e norte-americanas minimizam relatos confusos e não-confirmados sobre discussões com insurgentes de alto escalão, dizendo que eventuais contatos até agora foram apenas preliminares.

O plano de Karzai também será discutido em Lisboa. De acordo com ele, o Afeganistão propõe a ambiciosa meta de assumir a partir de 2014 a completa responsabilidade por sua própria segurança.

Os EUA pretendem iniciar uma desocupação gradual do país a partir de julho de 2011. A possibilidade de negociação e a atual onda de violência também serão levadas em conta quando ele rever sua estratégia na guerra do Afeganistão, em dezembro.

Muitos governos europeus estão sob pressão da sua opinião pública para justificar o continuado apoio dado a um conflito tão custoso e exaustivo.

Em entrevista publicada no fim de semana pelo jornal The Washington Post, Karzai deixou poucas dúvidas de que considera ser hora de que as tropas estrangeiras comecem a reduzir suas operações e sua visibilidade.

A entrevista também salientou como tem sido incômoda a sua relação com Washington, que ele descreveu como "relutante", embora seu gabinete tenha tentado atenuar a aparência de divisão.

"A relação está amadurecendo, a margem para uma reflexão substancial por ambas as partes está se ampliando, e isso é algo que vai exigir de nós um outro nível de parceria", disse Waheed Omer, porta-voz de Karzai, a jornalistas.

Karzai supostamente tem uma relação desconfortável também com o general norte-americano David Petraeus, comandante geral das tropas estrangeiras no Afeganistão e autor da estratégia de contra-insurreição. Omer disse que Karzai não tem críticas à estratégia geral, mas manifestou suas opiniões sobre como ela poderia ser melhorada.

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