Por Sayed Salahuddin CABUL (Reuters) - O Taliban está disposto a trabalhar pela paz com todos os grupos afegãos, mas os problemas do Afeganistão só poderão ser resolvidos se as tropas estrangeiras se retirarem do país, disse um importante líder insurgente.

O Taliban vem se fortalecendo nos últimos três anos, ampliando a escala e o âmbito de sua insurgência no sul e leste do Afeganistão, chegando até muito perto da capital.

Autoridades americanas admitem que não estão vencendo a guerra, mas dizem que o Taliban tampouco está. Chegou-se a um impasse. Os insurgentes não conseguem superar o poderio militar da Otan, e as tropas estrangeiras não conseguem impedir os atentados suicidas e as bomba do Taliban.

Chamados repetidos do presidente Hamid Karzai por conversações com o Taliban foram rejeitadas pelos militantes, mas a declaração feita pelo líder do Taliban assinala uma postura um pouco mais branda em relação ao governo, ao mesmo tempo conservando a costumeira linha dura contra a presença de tropas internacionais.

"Gostaríamos de adotar uma estratégia afegã que fosse compartilhada e de grande escala, após consultas com todos os grupos afegãos, para chegar a resultados positivos e frutíferos", disse Mullah Mutassin, ex-ministro das Finanças do Taliban e membro do conselho político do grupo, à revista al-Samoud, em entrevista concedida em 25 de fevereiro.

Mas, disse ele, os EUA "precisam retirar suas forças do Afeganistão o quanto antes, porque a verdadeira origem das crises e complicadora da situação é a presença de forças estrangeiras no país".

"Se essas forças partirem, o problema acabará, a questão será encerrada, e a paz vai prevalecer", ele teria dito na entrevista traduzida pelo Grupo de Inteligência de Sites, sediado nos EUA, que monitora websites jihadistas.

Mutassim é visto como próximo do chefe foragido do Taliban, o mulá Mohammad Omar.

Os EUA têm cerca de 38 mil soldados no Afeganistão, ao lado de outros 30 mil de 40 outros países, em sua maioria membros da Otan.

Na semana passada o presidente Barack Obama ordenou o envio ao Afeganistão de outros 17 mil soldados a fim de tentar romper o impasse e prometeu uma nova estratégia no Afeganistão para promover o desenvolvimento e reduzir as tensões regionais que contribuem para a guerra.

O Taliban abrandou várias de suas posições de linha dura contra coisas como televisão e música nas áreas que controla, tornando-o, segundo Mutassim, mais popular agora do que era quando estava no poder.

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