Taleban mata 13 das forças afegãs em dois ataques

Militantes atacam centro de recrutamento no norte do país e fazem emboscada em Cabul, o primeiro grande ataque em meses na capital

iG São Paulo |

Militantes da milícia islâmica do Taleban atacaram as forças de segurança do Afeganistão neste domingo, invadindo um centro de recrutamente e fazendo uma emboscada contra um ônibus com oficiais do Exército - o primeiro grande ataque em meses na capital do país, Cabul.

Pelo menos 13 integrantes das forças de segurança afegãs morreram nos dois ataques separados, enquanto a invasão do centro de recrutamento na Província de Kunduz, no norte do país, levou a um duro combate que durou pelo menos cinco horas, disseram autoridades. Ambas as operações foram reivindicadas pelo Taleban.

AP
Ônibus com soldados do Exército afegão atacado por insurgentes
Em Cabul, dois insurgentes portando explosivos fizeram uma emboscada contra um ônibus em que viajavam oficiais do Exército que trabalhavam no horário de rush da manhã nos arredores da capital, deixando cinco mortos e nove feridos, disse o porta-voz do Ministério da Defesa, general Mohammad Zahir Azimi.

Os dois agressores primeiramente abriram fogo contra o ônibus antes de um deles detonar seus explosivos perto do veículo. Soldados mataram o segundo militante, disse Azimi.

A capital afegã tem sido relativamente pacífica nos últimos meses, com exceção de alguns poucos ataques com poucas vítimas. O último grande atentado em Cabul foi uma ação suicida contra um comboio da Organização do Atlântico Norte (Otan) em maio que deixou 18 mortos, incluindo seis soldados da Otan - incluindo três coronéis americanos e um canadense.

A maior parte dos combates no país tem se concentrado no sul. A revisão interna da estratégia de um ano do presidente dos EUA, Barack Obama, divulgada na quinta-feira, apontou progresso contra o crescimento do Taleban, particularmente nas áreas do sul em que houve um reforço militar. Mas a violência aumentou em outras partes do país neste ano - que se tornou o mais mortífero em mais de nove anos de guerra para as tropas estrangeiras.

Com mais duas mortes confirmadas no sábado, o número de militares estrangeiros mortos no Afeganistão em 2010 chegou a 699, segundo dados computados pela Reuters e o site de monitoramento www.iCausalities.org. A Força Internacional de Assistência e Segurança, dirigida pela Otan, disse que um dos seus militares morreu quando uma bomba caseira explodiu no sul, e outro morreu durante um ataque de insurgentes no leste.

Previamente, o pior ano do conflito foi 2009, quando 521 militares estrangeiros morreram. Cerca de 2.270 militares estrangeiros morreram desde que a guerra começou, cerca de dois terços dos quais eram americanos. As forças afegãs sofreram muito mais baixas, mas não há informação precisa sobre os números.

No ataque deste domingo em Kunduz, pelo menos quatro militantes invadiram um centro de recrutamento do Exército em pleno centro da cidade. Segundo o Ministério da Defesa, dois dos agressores conseguiram detonar os explosivos que levavam junto ao corpo. No ataque, quatro soldados afegãos e quatro policiais foram mortos.

Pelo menos um dos agressores sobreviveu e um duro combate foi travado dentro do complexo, com o tiroteio durante horas, informou o vice-governador provincial Hamdullah Danishi, que disse haver informações de que os militantes vestiam uniformes do Exército. Segundo ele, o ataque também deixou 20 feridos.

"O inimigo veio preparado", disse à BBC o chefe da polícia de Kunduz, Mawlana Sayed Khel. O ataque levantou preocupações quanto à segurança de edifícios cruciais para o governo afegão, situados a cem metros do centro do Exército.

AFP
Chanceler alemã, Angela Merkel, e ministro da Defesa Karl Theodor zu Guttenberg chegam à cerimônia para soldado morto no Afeganistão. Merkel fez visita surpresa a país
A Província de Kunduz, considerada como relativamente calma, tem se tornado instável nos últimos meses. Forças americanas e afegãs eliminaram dezenas de comandantes do Taleban em Kunduz nas últimas semanas. No sábado, a chanceler alemã, Angela Merkel, visitou as tropas alemãs que tem como base a província.

*Com AP, Reuters e BBC

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