Ataques reivindicados pela milícia Taleban mataram, nesta terça-feira, ao menos cinco integrantes das forças de segurança do Afeganistão no leste do país. Um porta-voz do grupo disse que 15 militantes pretendiam realizar ataques suicidas em quatro prédios do governo afegão da cidade de Gardez. Essas informações não foram confirmadas pelas autoridades locais.

AP
Soldado afegão monta guarda ao lado de burca usada por homem-bomba em Gardez

Soldado monta guarda ao lado de burca usada por homem-bomba

Os ataques atingiram a sede da polícia, uma delegacia, um escritório do serviço secreto e a residência do governador.

Testemunhas dizem que pelo menos dois dos militantes estavam disfarçados de mulher e detonaram explosivos escondidos sob suas burcas, traje usado por muçulmanas.

Em um comunicado, o Ministério da Defesa confirmou que pelo menos quatro militantes teriam morrido durante trocas de tiros durante os ataques.

Violência

Em outra parte do país, militantes atacaram também o aeroporto de Jalalabad, perto da fronteira paquistanesa. O aeroporto serve de base para soldados afegãos e estrangeiros.

O ataque foi realizado por dois homens, dos quais um morreu e o outro foi capturado por forças da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

No mês de maio, seis pessoas morreram depois que militantes lançaram ataques simultâneos contra prédios do governo na cidade de Khost, também no leste afegão.

A violência aumentou ainda mais em todo o Afeganistão desde 2 de julho, quando milhares de soldados norte-americanos e britânicos iniciaram ofensivas na província de Helmand (sul), reduto dos produtores de ópio que fornecem sustento financeiro ao Taleban.

Ainda nesta terça-feira, foi anunciada a 18ª morte de um militar britânico no país apenas neste mês.

Forças americanas

Essas são as primeiras grandes operações desde que o governo norte-americano de Barack Obama adotou a estratégia de priorizar o combate à militância islâmica para tentar estabilizar o Afeganistão.

Milhares de soldados estrangeiros continuam chegando ao país, em parte para garantir a segurança na eleição presidencial de 20 de agosto, a segunda na curta história democrática afegã. Até o final do ano, os EUA devem ter 68 mil soldados no país.

O Taleban tem reagido às operações militares com ataques que levam as mortes de soldados estrangeiros ao seu maior nível em quase oito anos de guerra. Este mês de julho já é o mais letal da guerra para as forças estrangeiras no Afeganistão, inclusive para o contingente dos EUA.

Na segunda-feira, a Isaf (força da Otan) disse que mais um soldado seu foi morto por uma bomba deixada em uma estrada no sul do país. A Isaf não deu detalhes sobre a identidade da vítima. No mesmo dia, outra bomba à beira de uma estrada havia matado quatro soldados dos EUA no leste do país. Ao todo, os EUA já registraram 27 mortes de militares neste mês, superando os número de setembro de 2008, quando os mortos totalizavam 26.

O secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, disse nesta segunda que abandonar a missão militar no Afeganistão traria consequências devastadoras para o país, permitindo que o extremismo se espalhasse pelo Paquistão e pela Ásia Central.

(Com informações da Reuters e BBC)

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