Talebã executa casal de namorados

Militantes do grupo Talebã assassinaram um jovem casal que tentou fugir do Afeganistão para se casar, afirmaram autoridades do país. O homem, de 21 anos, e a mulher, de 19, foram mortos a tiros na segunda-feira em frente a uma mesquita na província de Nimroz, no sudoeste do país, região onde os talebãs têm forte influência.

BBC Brasil |

O governador da província, Gulam Dastageer Azad, afirmou que o casal tinha fugido para se casar pois suas famílias não aprovavam a união. De acordo com o governador de Nimroz, os clérigos do Talebã emitiram um decreto religioso (fatwa) que determinou a morte do casal.

Segundo Martin Vennard, editor da BBC para o oeste da Ásia, Azad teria acrescentado que a a morte do casal era um insulto ao islamismo.

Fuga para o Irã
O casal tentou fugir para o país vizinho, o Irã, mas foi capturado e levado de volta para seu vilarejo no distrito de Khash Rod.

Segundo correspondentes, as mortes ocorreram em uma região remota e perigosa, à qual o governo afegão não tem acesso.

Os jovens foram acusados de atos imorais o que, geralmente, significa manter um relacionamento fora do casamento. De acordo com o governador da província de Nimroz, Gulam Dastageer Azad, as famílias dos dois jovens executados podem ter envolvimento com o Talebã. Nenhum representante do grupo foi localizado para comentar o caso.

O Talebã tem ampliado sua influência no país nos últimos três anos e agora o movimento controla as regiões mais remotas, onde não existem forças da coalizão liderada pelos EUA em número suficiente para estabelecer uma presença permanente.

Apedrejados
O Talebã governou o Afeganistão entre 1996 e 2001 e, durante este período, aplicou sua interpretação severa da lei islâmica, realizando execuções ou chicoteamentos em público.

Segundo Martin Vennard, os que cometiam adultério eram apedrejados até a morte em público.

Homens e mulheres que não eram casados eram proibidos de se encontrar ou conversar em público e mulheres não tinham permissão para sair de casa sem um familiar, homem, acompanhando. Meninas eram estimuladas a ficar longe das escolas.

Desde então os chamados "crimes de honra" são comuns no Afeganistão, perpetrados sob ordens de famílias que têm algum parente que lhes constrangeu de alguma forma, geralmente ao recusar o casamento com um parceiro já escolhido.

O caso da execução do jovem casal ocorre em um momento em que o governo afegão foi acusado de fazer o país retroceder para os tempos do Talebã ao aprovar uma lei que, segundo críticos, legaliza o estupro dentro do casamento.

Depois de reclamações da comunidade internacional, a lei - que seria aplicada à minoria xiita afegã - está sendo reavaliada.

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