Taiwan quer poder de dissuasão frente à China para futuras negociações

A venda de armas americanas a Taiwan, que provocou a fúria da China, ilustra a vontade da ilha de conservar um poder de dissuasão frente a Pequim, apesar disso ameaçar com uma tensão maior as relações com seu vizinho comunista, afirmam os analistas.

AFP |

"Taiwan necessita dessas armas para estar em posição de negociar no futuro com a China", resumiu Tung Chen-yuan, da Universidade Nacional de Taipé Chenchi.

O Pentágono anunciou na véspera que os Estados Unidos venderão a Taiwan mísseis Patriot, além de navios detectores de minas submarinas e helicópteros Black Hawk, o que causou imediato protesto por parte das autoridades chinesas.

A remessa inclui equipamento de comunicações para os F-16 de Taiwan, mas não novos aviões de caça, como queria Taiwan, segundo o Pentágono.

A China suspendeu seus intercâmbios militares e seu diálogo de segurança com Washington e anunciou que vai sancionar as empresas que venderam armas a Taiwan.

A China disse ainda que a venda de armas a Taiwan no valor de 6,4 bilhões de dólares pode causar sérios danos em suas relações com Washington.

O vice-ministro das Relações Exteriores chinês He Yafai ligou para o embaixador americano em Pequim, Jon Huntsman, para transmitir sua indignação.

O Departamento de Estado americano, por sua vez, justificou a venda de armas a Taiwan.

"A decisão de vender armas a Taiwan contribui para manter a segurança e a estabilidade entre as margens do Estreito de Formosa", declarou à AFP uma porta-voz da diplomacia americana, Laura Tischler.

O fornecimento de armas a Taiwan por parte dos Estados Unidos é um tema delicado que provoca regularmente a fúria de Pequim. Taipé, por sua vez, critica o fato de que 1.500 mísseis chineses apontem contra Taiwan, e que o fortalecimento do arsenal chinês jamais diminui.

Os Estados Unidos reconheceram a China comunista em 1979 e, com esta ação, deixou de reconhecer Taiwan. Mas uma lei votada pelo Congresso americano no mesmo ano autorizou que Washington vendesse armas de defesa a Taiwan.

A China já havia advertido os Estados Unidos sobre a venda de mais armamentos à ilha.

A última vez que Pequim e Washington interromperam suas relações militares foi em outubro de 2008, quando os Estados Unidos, sob governo de George W. Bush, entregou armas à ilha.

Os comunistas chineses, que expulsaram o governo nacionalista de Kuomintang para Taiwan em 1949, consideram a ilha rebelde como parte integrante da China e ameaçaram intervir militarmente se esta declarasse sua independência.

Desde que o presidente Ma Ying-jeou assumiu poder, em maio de 2008, as relações entre a China e a República da China (nome oficial de Taiwan) registraram uma melhoria através de uma série de acordos econômicos.

Mas o presidente taiuanês enfrenta uma situação delicada, pois deve contrabalançar seu compromisso de melhorar as relações no Estreito de Formosa com os interesses d 23 milhões de seus cidadãos apegados a sua soberania.

"Apesar da melhoria das relações, a ameaça chinesa persiste, existindo um desequilíbrio entre os dos campos", destacou Kenneth Kaocheng Wang, especialista militar da Universidade de Taipé Tamkang.

De qualquer maneira, é muito improvável que a ilha possa um dia rivalizar com Pequim no terreno militar.

"A China tem mais de mil mísseis apontados para Taiwan e não mostra qualquer vontade de reduzir seu arsenal", comentou o deputado taiuanês Lin Yu-fang, membro do comitê parlamentar da Defesa.

str/cn

    Leia tudo sobre: china

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG