Taiwan e China selam acordos econômicos com simbolismo político

Francisco Luis Pérez. Taipé, 4 nov (EFE).- Os máximos negociadores de Taiwan e China selaram hoje, em uma reunião histórica, quatro acordos que não só impulsionam a cooperação econômica, mas também reforçam a confiança mútua e aproximam os dois antagonistas políticos.

EFE |

Enquanto a oposição independentista gritava nas ruas que "Taiwan e China são dois países diferentes", Chen Yunlin, presidente da Associação de Relações através do Estreito de Taiwan (Arats), e Chiang Pin-kung, presidente da Fundação Intercâmbios do Estreito (FIE), assinavam os convênios em nome de seus respectivos Governos.

Chen ressaltou que "a cooperação econômica e financeira entre as duas partes é cada vez mais urgente diante da crise financeira mundial e que, no futuro, vão se normalizar os laços econômicos e se criar um mecanismo institucional de cooperação econômica".

O negociador de Taiwan disse que "no futuro as negociações darão prioridade aos temas financeiros, à proteção dos investimentos da ilha na China e à cooperação contra o delito e as epidemias".

Esta é a primeira vez que um negociador chinês de alta categoria visita a ilha desde 1949 e retoma o caminho das negociações iniciadas em 1993 e interrompidas de 1999 a 2008, quando Taiwan estava sob Governos independentistas.

Os quatro convênios selados e os contatos preliminares para impulsionar a cooperação financeira terão um claro impacto na economia de Taiwan e favorecerão, sobretudo, os empresários ilhéus com investimentos na China.

Os acordos de transporte direto economizarão milhões de dólares para as empresas da ilha que já investiram na China cerca de US$ 150 bilhões e que mantêm uma divisão de trabalho entre suas filiais nas duas partes.

No futuro, a duração do vôo entre Taipé e Xangai será reduzida em 62 minutos, com uma economia de combustível de 40% a 45%, o que representará cortes de custos de quase US$ 100 milhões anuais, segundo dados do Conselho de Assuntos Chineses (CAC) de Taiwan.

Os vôos diretos de carga facilitarão as exportações de componentes taiuaneses para a montagem em empresas da ilha radicadas na China, sobretudo as de eletrônica e de maquinaria, com forte redução de custos.

No caso do transporte marítimo direto, serão facilitadas as exportações de Taiwan para a China e também o envio de componentes para as empresas taiuanesas com economia anual de aproximadamente US$ 40 milhões, segundo dados do CAC.

Durante o restante de sua estadia em Taiwan, Chen terá uma reunião importante com o presidente taiuanês, Ma Ying-jeou, na qual se colocará a toda prova a vontade política da China para com ele.

O líder ilhéu, que tomou posse em maio e enfrenta forte oposição independentista em sua aproximação econômica com a China, prometeu não comprometer a soberania do país nem aprovar o menosprezo da dignidade nacional.

A presidente do opositor Partido Democrata Progressista (PDP), Tsai Ing-wen, exigiu que Ma Ying-jeou insista que Chen Yunlin diga que o futuro de Taiwan deve ser decidido pelos 23 milhões de taiuaneses.

"A China deve fazer concessões se não quiser que o independentista PDP volte ao poder em 2012", disse à Efe Stephen Chen, especialista em relações internacionais do governante Partido Kuomintang.

O líder taiuanês busca investimentos e outros apoios chineses para reativar a debilitada economia da ilha, afetada em suas exportações e inflação pela crise mundial, disse Cristina Chen, economista de Taiwan.

Taiwan espera o início de contatos para a ratificação de um acordo financeiro que permita a chegada de milhões de dólares em capital chinês e o estabelecimento na China dos bancos e financeiras taiuanesas.

A FIE e a Arats foram criadas por seus respectivos Governos, em 1990 e 1991, para conduzirem todos os assuntos relacionados aos intercâmbios entre os dois lados do Estreito de Formosa, faltando laços oficiais.

Pequim considera Taiwan como parte de seu território, e a ilha se considera um Estado soberano herdeiro da República da China, fundada na China em 1911. EFE flp/fh/jp

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