Taiwan e China realizam primeiras negociações de alto nível na ilha

Taipé, 3 nov (EFE).- Os rivais políticos Taiwan e China iniciam pela primera vez negociações de alto nível na ilha, com a chegada do negociador chinês, Chen Yunlin.

EFE |

Chen Yunlin chega hoje a Taiwan para uma visita de cinco dias, acompanhado por uma comitiva de 60 pessoas, e será o funcionário chinês de mais alta categoria a visitar a ilha.

O organismo taiuanês encarregado dos laços com a China assinala que este encontro "simboliza não só uma grande melhora, mas um marco histórico no desenvolvimento das relações mútuas".

Na agenda das negociações, "se tratará do transporte aéreo direto, incluindo o início dos vôos diretos de carga; os laços marítimos diretos; o serviço postal direto e a cooperação em segurança alimentar", diz o Conselho de Assuntos Chineses (CAC) da ilha.

Ao mesmo tempo e em encontros paralelos, especialistas e funcionários de ambas as partes do Estreito de Formosa lançarão as bases de um futuro acordo financeiro, para enfrentar a crise econômica mundial.

No entanto, "não se tratarão temas políticos ou de soberania" entre o chinês Chen Yunlin, presidente da Associação de Relações através do Estreito de Taiwan (Arats), e seu colega taiuanês, Chiang Pin-kung, presidente da Fundação Intercâmbios do Estreito (FIE), diz o CAC.

A oposição teme que a chegada de Chen à ilha comprometa a soberania taiuanesa e preparou numerosas mobilizações civis, precedidas no sábado passado por uma manifestação de centenas de milhares de pessoas "em defesa da soberania".

O Governo da ilha respondeu com um gigantesco aparato de segurança, isolando todas as entradas do Grand Hotel, residência de Chen Yunlin, e não divulgando alguns detalhes do programa do encontro.

Ainda não se sabe se o presidente taiuanês, Ma Ying-jeou, receberá Chen, devido a problemas de protocolo, já que se o negociador chinês o chamar de "presidente" compromete a postura de Pequim de que a ilha é soberana e se não o faz, os taiuaneses se sentirão feridos em sua dignidade nacional.

As principais negociações e a assinatura dos acordos estão previstas para terça-feira, e Taiwan assegura que o encontro acontece "enfrentando a realidade sem negar a existência do outro" e "negociando no mesmo nível".

Os acordos previstos terão um forte impacto econômico já que o comércio bilateral registra forte alta, passando de US$ 45,7 bilhões no ano 2000 para US$ 130,2 bilhões em 2007, segundo dados oficiais da ilha.

Em 2007, os habitantes da ilha, sobretudo os empresários, realizaram 4,95 milhões de visitas à China, e atualmente existe uma clara divisão vertical de trabalho nas empresas taiuanesas, que manufaturam em muitos casos na China. EFE flp/ma

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