Taiwan e China iniciam conversas com chegada histórica de negociador a Taipé

Francisco Luis Pérez. Taipé, 3 nov (EFE).- Taiwan e China dão início hoje às primeiras negociações de alto escalão na ilha desde 1949, com a chegada do principal negociador chinês, Chen Yunlin, acompanhado de uma comitiva de 60 pessoas.

EFE |

A chegada de Chen, que é presidente da Associação para as Relações entre os Dois Lados do Estreito de Taiwan (Arats, em inglês), foi acompanhada de medidas de segurança incomuns, com a mobilização de 7 mil policiais para controlar os independentistas.

O presidente de Taiwan, Ma Ying-jeou, que sofre uma forte queda de popularidade por causa da deterioração da economia da ilha em conseqüência da crise mundial, apostou na aproximação com a China para reativar a atividade econômica e selar um acordo de paz.

"Ma enfrenta um desafio, já que deve convencer os taiuaneses que não transigirá na soberania e deve conseguir de Pequim concessões reais nas áreas de economia e espaço internacional", disse o analista Roberto Chyou, professor da Universidade Nacional Chengchi, em Taiwan.

O presidente da Arats ressaltou que "não serão abordados temas políticos, nem bilaterais e nem domésticos", o que não parece apaziguar os temores e as manifestações.

A Polícia mantém isoladas todas as vias de acesso ao Grand Hotel, onde Chen está hospedado, mas não conseguiu impedir que alguns independentistas pendurassem dois cartazes pedindo sua saída da ilha e defendendo a soberania e independência de Taiwan.

Ninguém está indiferente ao significado da visita de Chen, que busca continuar as negociações iniciadas em junho em Pequim.

O órgão de Taiwan responsável pelas relações com a China, o Conselho de Assuntos Chineses (MAC, em inglês), destacou que o encontro "simboliza não apenas uma grande melhora, mas um marco histórico no desenvolvimento das relações mútuas".

O oposicionista Partido Democrático Progressista (MCT), que mobilizou no sábado milhares de manifestantes contra a chegada de Chen, concentra vários protestos em Taipé com os lemas "Taiwan é meu país" e "Proteger a soberania".

As negociações entre Chen e o presidente da Fundação para o Intercâmbio no Estreito (SEF, em inglês), Chiang Pin-kung, terão maior impacto sobre a economia do que em encontros anteriores.

"Em Pequim, só se tratou de vôos diretos em finais de semana e da chegada de poucos turistas chineses à ilha, mas desta vez foram incluídos temas que favorecem a integração econômica bilateral, favorecendo os investidores de Taiwan na China", disse a economista taiuanesa Cristina Cheng.

Paralelamente às negociações entre Chen e Chiang, especialistas e representantes dos dois lados do Estreito de Formosa se reunirão para definir as bases de um futuro acordo financeiro que permita enfrentar a crise econômica mundial.

Ainda não se sabe se Ma receberá Chen por problemas de protocolo, já que se o negociador chinês o chamar de "presidente" comprometerá a postura de Pequim de que a ilha não é soberana, e se não fizer isto os taiuaneses se sentirão magoados.

Os acordos previstos podem ter um forte impacto econômico, uma vez que o comércio bilateral passou de US$ 45,7 bilhões em 2000 para US$ 130,2 bilhões em 2007.

As exportações taiuanesas para a China constituíram 40,7% do total em 2007, e o investimento passou de US$ 17,1 bilhões em 2000 para US$ 64,9 bilhões no ano passado, segundo informações oficiais.

Dados não oficiais, citados pelo MAC, situam o valor dos investimentos taiuaneses na China entre US$ 100 bilhões e US$ 150 bilhões.

Em 2007, os empresários de Taiwan realizaram quase 5 milhões de viagens à China, pois muitas empresas têm suas fábricas no continente.

As novas normas para o transporte aéreo direto, que eliminam a passagem pelo espaço aéreo de Hong Kong ou Macau, diminuirão em 62 minutos a viagem entre Taipé e Xangai e economizarão entre 40% e 45% de combustível, com poupança anual de quase US$ 100 milhões.

O início dos vôos diretos de carga também significará grande economia, facilitará a divisão do trabalho para as empresas de Taiwan com investimento na China e será de grande importância para os setores "eletrônico e de maquinaria", afirma o MAC.

O transporte marítimo direto representará economia de US$ 10 mil por viagem, o que, com o número atual de 4 mil viagens anuais, poderia reduzir os custos em US$ 40 milhões.

As negociações em Taipé dão prosseguimento às iniciadas em junho em Pequim, após a chegada de Ma à Presidência de Taiwan, pondo fim a quase dez anos sem contatos. EFE flp/wr/fal

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