Taiwan corre para minimizar danos após tufão devastador

Taipé, 15 ago (EFE).- As operações de resgate continuam hoje em Taiwan, onde o presidente Ma Ying-jeou estima que o tufão Morakot tenha causado mais de 500 mortes, além de ter deixado milhares de pessoas isoladas.

EFE |

As equipes de resgate trabalham contra o tempo e em situações perigosas, cruzam rios de lama e correm sobre pontes destruídas para resgatar vítimas.

Na aldeia de Siaolin, onde cerca de 380 pessoas foram soterradas depois de um deslizamento numa montanha vizinha, foi realizado um ato religioso em memória das vítimas, em sua maioria aborígines cristãos.

A minoria aborígine taiuanesa, de religião majoritariamente cristã, foi a mais afetada pelas inundações, transbordamentos de rios e deslizamentos de terras causados pelo "Morakot".

Os habitantes de Siaolin, conscientes da impossibilidade de resgatar vivos seus parentes e vizinhos, começaram a pedir um monumento comemorativo sobre o local tomado pela lama.

Nesse meio tempo, surgem histórias de salvamentos milagrosos. Um policial aborígine da aldeia Liouguei, distrito de Kaohsiung (sul), contou que se salvou graças à capa de chuva, ao ter ficado isolado cinco dias, sem comida e debaixo da tempestade, no telhado da delegacia.

"Fui salvo graças à minha vontade de não sucumbir ao cansaço e ao desejo de dormir, à minha fé e minha capa da Polícia que me protegeu do frio e da chuva", disse Chang Hui-cheng no hospital.

"Os turistas se foram, mas os moradores foram mais difíceis de convencer a que deixassem a zona de perigo", conta Chang, que primeiro disse ter advertido a população.

Ao se ver sem proteção alguma, o policial se agarrou às colunas de aço e pôs a capa para sobreviver perante a forte chuva.

"Só podia confiar em Deus", diz Chang, que contou que não parou de rezar durante toda a tragédia e no final, ao ver um helicóptero no céu, balançou um lenço vermelho e foi resgatado.

Outros não tiveram tanta sorte, como os moradores da aldeia Meishan, no distrito de Chiayi, que enviaram sinais de fumaça, mas não conseguiram atrair os helicópteros de resgate.

"Não temos mais comida", disse um dos habitantes por rádio, enquanto na mesma zona outro residente assegurou que há quatro pessoas soterradas e que 80 aborígines na comunidade Chengmikao seguem incomunicáveis sem água e comida.

Mais de 50 mil membros do Exército taiuanês e das equipes de resgate continuam as operações, que já custaram a vida de três tripulantes de um helicóptero e um das equipes.

Os danos materiais do tufão são estimados em US$ 3,4 bilhões, incluindo por destruição de casas, infraestruturas e colheitas, como disse o primeiro-ministro Liu Chao-shiuan.

O Governo prometeu um fundo especial para cobrir os prejuízos do tufão "Morakot" e, segundo o presidente, "passará por todos os obstáculos para conseguir isso".

Os atores Andy Lau e China Jet Li, de Hong Kong, se juntaram às celebridades taiuanesas para recolher fundos em ajuda às vítimas.

Programas de TV locais recebem doações por telefone e ontem à noite arrecadaram US$ 13 milhões.

O "Morakot" é o pior tufão que já chegou a Taiwan, segundo o presidente, e os danos causados superam os do registrado em 1959, que deixou 667 mortos e cerca de mil desaparecidos.

O tufão que varreu a ilha originou chuvas torrenciais de 2 mil milímetros por metro quadrado, mais que a média anual, com as piores inundações dos últimos 50 anos.

A pior catástrofe natural da ilha foi o terremoto de 7,6 graus de magnitude na escala Ritcher que, em 1999, matou pelo menos 2.400 pessoas.

Geólogos taiuaneses acreditam que Taiwan virou um território mais propício a alagamentos, devido à grande migração da população das montanhas para os vales nos últimos 20 anos, que contribuiu para o desastre.

Segundo Chen Wen-Shan, geólogo da Universidade Nacional de Taiwan, os povoamentos não estavam há uma distância suficiente do leito dos rios, levando em conta se tratar de um tufão de dimensões que ocorre apenas a cada dois séculos.

O "Morakot" marca o começo da estação dos tufões e os especialistas advertem que em algumas zonas montanhosas podem originar nos próximos dois anos terras ainda mais instáveis. EFE pc/rr

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