Tailândia usa força pela 1ª vez para conter camisas vermelhas

Gaspar Ruiz-Canela. Bangcoc, 9 abr (EFE).- A Tailândia usou hoje, pela primeira vez, gás lacrimogêneo e canhões de água contra os milhares de manifestantes que há quase um mês exigem a renúncia do Governo e eleições antecipadas.

EFE |

Quatro guardas e 18 camisas vermelhas, como são conhecidos os opositores seguidores do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, ficaram feridos no confronto, ocorrido nos arredores de Bangcoc entre sete mil policiais e 12 mil manifestantes.

Os hospitais próximos dizem ter atendido pelo menos 22 pessoas gravemente feridas.

As forças antidistúrbios protegiam as instalações da Thaicom, a companhia de serviços por satélite que cortou na quarta-feira o sinal do canal "P-TV" (opositor), por ordem do Governo.

Jatuporn Prompan, um dos que comandou os protestos do alto de um caminhão e com um megafone, chamou os seguidores a avançar para "recuperar a voz e os ouvidos do povo", em referência à "P-TV".

Após alguns minutos de caos e confrontos, os agentes com capacetes e escudos recuaram, e os manifestantes invadiram o local, embora o vice-primeiro-ministro tailandês, Suthep Thaugsuban, tenha dito horas antes que isso não aconteceria.

Os camisas vermelhas, agrupados na plataforma Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura, abandonaram as instalações após obterem o compromisso das autoridades de que o sinal do canal voltará ao ar hoje.

Outro confronto, menos violento, aconteceu no cruzamento de Ratchaprasong, uma das áreas mais importantes da cidade, com comércios, hospitais e colégios nos arredores, e que o protesto toma desde sábado passado.

No mesmo local, os corpos de segurança acabaram por ceder e retiraram-se para evitar uma escalada de violência, apesar de contarem com o apoio de um estado de exceção decretado na capital na quarta-feira.

"Pode ser que tenham conseguido reabrir a "P-TV", mas encontrarem a forma de fechá-la de novo", disse o porta-voz do Governo tailandês Panitan Wattanayagorn.

As autoridades acusam o canal de televisão de manipular informação e de incitar a desordem civil.

A Justiça emitiu nas últimas 24 horas ordens de detenção contra 24 líderes do protesto - 17 por ocupação ilegal em Ratchaprasong e sete por dirigirem os manifestantes que invadiram o Parlamento na quarta.

"Se a Polícia detiver os líderes dos camisas vermelhas, tenho certeza que as manifestações continuarão pela Songkran (festa do ano novo tailandês, na próxima semana)", advertiu Veera Musigapong, líder da Frente Unida.

Cerca de 33 mil membros adicionais das forças de segurança da Tailândia foram enviados para dentro e fora de Bangcoc para evitar distúrbios ante a grande mobilização anunciada para hoje.

Além disso, o estado de exceção permite ao Exército assumir o controle da segurança, declarar toque de recolher e dissolver qualquer assembleia pública, entre outras disposições.

Desde que começaram os protestos, com 100 mil pessoas em Bangcoc, em 14 de março, as tropas da Tailândia ainda não tinham dispersado os manifestantes à força.

A única violência em semanas passadas foi a das granadas e artefatos explosivos - mais 30 - lançados contra prédios governamentais ou filiais de bancos opositores a Shinawatra.

A Tailândia atravessa uma profunda crise política, fruto da luta entre os seguidores e detratores de Shinawatra, deposto em 2006.

A Frente Unida, fundada por aliados de Shinawatra, considera ilegítimo o atual Governo ao dizer que nasceu de acordos parlamentares e não do voto popular, e exige a convocação de eleições para abril. EFE grc/rr

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