Tailândia transfere presos e impõe racionamento por enchentes

Centenas são retirados de maior presídio do país; comércio raciona alimentos básicos em meio a alerta de enchente em Bangcoc

iG São Paulo |

As autoridades da Tailândia começaram nesta quarta-feira a retirar presos da penitenciária de segurança máxima de Bang Kwang, depois que o governo alertou a população de 12 milhões de Bangcoc que a inundação parcial da capital está próxima.

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Tailandesa agarra-se a seus pertences enquanto espera por ajuda para atravessar áreas inundadas em Bangcoc
Em meio a estritas medidas de segurança, um comboio de caminhões escoltado por guardas armados com fuzis transferiu para outra prisão o primeiro grupo do total de 600 presos de um dos pavilhões do presídio localizado nos arredores de Bangcoc e o maior da Tailândia.

A retirada da prisão, onde estão os sentenciados à pena de morte e à prisão perpétua, foi decidida porque a alta do nível da água que inundará a penitenciária pode causar avarias em seu sistema de segurança.

O diretor-geral de Instituições Penitenciárias Suchart Wongsanatchai disse à televisão estatal que a prisão abriga cerca de 20 mil detentos tailandeses e de outras nacionalidades, e todos eles podem ser transferidos para outras prisões. Na segunda-feira, cerca de 1 mil presos da penitenciária de Thanyaburi, perto da capital, foram transferidos para outras cadeias do país diante da ameaça de inundação.

O governo advertiu nesta quarta-feira que várias áreas de Bangcoc permanecerão inundadas por até  um mês, porque a água superou os diques levantados no perímetro da cidade para evitar que a capital seja alagada como o planalto central do país.

Racionamento em Bangcoc

As lojas da capital tailandesa começaram nesta quarta-feira a impor um racionamento de emergência, enquanto a primeira-ministra alertou que partes da cidade podem passar cerca de duas semanas a um mês inundadas antes de a água correr para o mar. As autoridades decretaram um feriado de cinco dias para permitir que a população deixe os locais afetados pelas cheias , mas os mercados financeiros continuarão funcionando.

Os supermercados de Bangcoc receberam uma multidão de compradores disposta a carregar todos os suprimentos possíveis. Há dias os alimentos de primeira necessidade, principalmente a água engarrafada, estão escassos. A televisão estatal informou que, por causa da grande quantidade de consumidores, alguns comércios optaram por racionar a venda de alimentos básicos, sobretudo arroz, que é parte fundamental da dieta tailandesa.

"Após examinar a situação, achamos que podemos ter o pior dos cenários por causa da ruptura dos diques e de um fluxo maior de água do que esperamos", disse a primeira-ministra Yingluck Shinawatra. Segundo ela, em Bangcoc, onde desemboca o rio Chao Praya, o nível de água chegará ao máximo de 1,5 metro em diversas áreas, incluindo a região do principal distrito financeiro e comercial da metrópole. "No entanto, não devemos enfrentar a água a até 2 ou 3 metros de altura durante dois ou três meses, como temos visto em outras províncias."

Nos próximos dois ou três dias, algumas áreas de Bangcoc serão inundadas pela água de cor marrom misturada com lixo que corre das 28 províncias alagadas em direção ao golfo da Tailândia. De acordo com especialistas, a maré alta freará o curso da água em direção ao mar. O vice-almirante Niruth Hongprasert, especialista em hidrologia e assessor do governo, afirmou que, no final deste mês, a corrente do rio será tão abundante que a maior parte dos diques cederá com a forte pressão de água.

As piores inundações em meio século na Tailândia já deixaram pelo menos 366 mortos desde meados de julho, além de afetar o cotidiano de quase 2,5 milhões de pessoas. Mais de 113 mil estão desabrigados e 720 mil precisam de assistência médica por causa de infecções e outras doenças contraídas no contato ou consumo de água contaminada.

O dano econômico é difícil de quantificar, mas o Banco Central reduziu neste mês a previsão de crescimento do PIB para este ano de 4,1% para 3,1%. A projeção do Ministério das Finanças foi mais sombria: 2%. Sete polos industriais em províncias vizinhas a Bangcoc tiveram de interromper as atividades, deixando prejuízos de bilhões de dólares e 650 mil temporariamente sem trabalho.

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Pedestres passam por sacolas de areia usadas como barreira para águas de enchente do lado de fora de shopping no centro de Bangcoc, Tailândia
O governo aprovou na terça-feira uma verba de US$ 10,6 bilhões dpara a reconstrução do país, num processo que já começou a ser discutido entre autoridades e empresários de diversos setores. O ministro do Turismo, Chumphol Silpa-archa, disse que entre 500 mil e 1 milhão de turistas podem deixar de visitar a Tailândia neste ano por causa das inundações. A previsão inicial era de 19 milhões de visitantes em 2011.

No planalto central, considerado a terra mais fértil da Tailândia, as inundações transformaram centenas de aldeias agrícolas em ilhas nas quais seus habitantes recorrem à pesca para poder comer. O Executivo decretou desde quinta-feira até o final do mês um período de férias extraordinárias em 20 províncias do país e em Bangcoc, para que seus habitantes possam enfrentar a situação.

*Com Reuters, EFE e AFP

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