Tailândia mobiliza soldados armados no distrito financeiro de Bangcoc

Bangcoc, 19 abr (EFE).- O Exército da Tailândia mobilizou hoje soldados com armas de fogo no distrito financeiro de Bangcoc diante da ameaça dos manifestantes antigovernamentais, os chamados camisas vermelhas, de estender os protestos a essa área da capital.

EFE |

Tropas de choque e militares se distribuíram em grupos distanciados por edifícios ao longo da Silom Road, a Wall Street tailandesa, e passaram o dia sob um sol escaldante que no final acabou sendo o grande inimigo deles.

Moradores e comerciantes da região levavam refrescos em bolsinhos de plástico aos membros dos corpos de segurança, munidos de equipamentos, inclusive capacetes e máscaras contra a poluição.

A sede do Bangkok Bank, na Silom, recebeu proteção especial do Exército, que cercou a área com arame farpado para conter os manifestantes da Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura, grupo dirigido por seguidores do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra e que organiza a mobilização antigovernamental.

Os dirigentes da Frente Unida acusam o banco de ter participado do golpe de Estado que depôs Shinawatra em 2006.

O porta-voz do Governo, Panitan Wattanayagorn, confirmou à imprensa que "há várias unidades armadas para se defender dos ataques de terroristas que se escondem entre os manifestantes".

As autoridades querem evitar que se repitam os distúrbios de 10 de abril, quando o confronto entre manifestantes e forças de segurança deixou 24 mortos - 5 militares, 18 "camisas vermelhas" e um cinegrafista japonês - e 874 feridos.

Horas depois da mobilização da tropa, Weng Tojirakarn, um dos líderes da Frente Unida, anunciava mudanças de plano e o adiamento da manifestação pela Silom Road.

O protesto, que exige a convocação de eleições antecipadas na Tailândia, permaneceu na base dos protestos, na parte antiga da cidade.

Enquanto as forças de segurança e os manifestantes se enfrentavam pelas ruas, duas irmãs tailandesas, de 13 e 14 anos, ficaram feridas na explosão de uma bomba que estava escondida em uma lata de lixo em Bangcoc.

O fato ocorreu por volta das 10h da manhã local quando as jovens passavam ao lado de uma fábrica no bairro de Bangbon.

Mais de 30 explosões ocorreram em diversas partes da cidade desde que eclodiram os protestos antigovernamentais, que chegaram a atingir uma concentração de 100 mil pessoas nas ruas de Bangcoc no dia 14 de março.

O primeiro-ministro tailandês, Abhisit Vejjajiva, que na sexta-feira passada entregou o comando da segurança ao chefe do Exército, Anupong Paochinda, se reuniu hoje com seu gabinete econômico para avaliar o impacto dos protestos.

A reunião com ministros e representantes da Câmara de Comércio da Tailândia e a Federação de Indústrias da Tailândia, entre outros, foi realizada no quartel do 11º Regimento de Infantaria, onde o líder instalou seu escritório quando começaram as manifestações.

O Ministério das Finanças calculou em seu dia em 10 bilhões de bats (US$ 309,7 milhões) as perdas financeiras desde 3 de abril, quando os protestos forçariam agora a ocupação de Silom Road.

A Câmara de Comércio da Tailândia indicou hoje que, se durarem dois meses, as perdas aumentarão para 70 bilhões de bats (US$ 2,168 bilhões).

A Bolsa de Valores de Bangcoc, que até a explosão da violência não havia sido prejudicada pelos protestos, embora se tivesse declarado o estado de exceção na capital, fechou hoje em baixa de 1,34%, uma queda de 9,87 pontos, levando o índice SET ao nível de 726,29 pontos.

A Bolsa de Valores tailandesa caiu 8% desde os violentos confrontos do dia 10.

A Tailândia vive uma profunda crise política, fruto da disputa entre seguidores e detratores do foragido Shinawatra, condenado em 2008 a dois anos de prisão por crime de corrupção. EFE tai/sa

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