Tailândia impõe toque de recolher após rendições

Situação no país continua violenta, mesmo após a rendição de líderes dos "camisas vermelhas"

iG São Paulo |

As autoridades tailandesas decretaram nesta quarta-feira o toque de recolher, a partir das 20h locais (10h de Brasília), em Bangcoc e em outras 23 províncias, ao término de uma operação militar contra o bairro da capital ocupado pelos "camisas vermelhas". A decisão foi tomada pelo Centro para a Resolução de Situações de Emergência.

O Exército da Tailândia anunciou nesta quarta-feira o fim da operação executada para esvaziar o bairro de Bangcoc ocupado pelos "camisas vermelhas", mas os confrontos prosseguiam na área, mesmo depois dos líderes das manifestações terem anunciado o fim dos protestos .

Apesar do anúncio, a Bolsa de Bangcoc e vários centros comerciais foram incendiados à tarde na capital da Tailândia. As chamas atingiram inclusive o Central World, um dos maiores centros comerciais da cidade, que estava fechado há várias semanas. Fumaça negra de pneus queimados também podia ser vista emanando da avenida Rama IV, onde os "camisas vermelhas" atearam fogo no andar térreo de uma estação de TV.

No noroeste do país, em Udon Thani e Khon Kaen, manifestantes rebeldes invadiram os prédios do governo local em resposta à ofensiva em Bangcoc.

Cerco e rendição

Durante a manhã (madrugada no Brasil), tropas em veículos blindados, disparando armas semiautomáticas, avançaram sobre uma área que passou mais de seis semanas ocupadas pelos manifestantes "camisas vermelhas".

Quando os soldados cercaram a principal área dos protestos, os líderes do movimento ofereceram sua rendição , embora muitos seguidores pedissem - muitos chorando - que eles continuassem lutando. Disparos eram ouvidos próximos dali.

nullOs líderes dos "camisas vermelhas" pediram a dispersão dos opositores, encerrando assim os protestos iniciados em março em Bangcoc. "Encerramos agora nossas manifestações", declarou Nattawut Saikuar, um dos principais nomes das manifestações antigovernamentais. "Sei que para alguns de vocês é inaceitável e que alguns não querem nem ouvir falar disso, mas não podemos resistir", completou. "Vamos trocar nossa liberdade pela segurança de vocês. Fizemos tudo que era possível. Peço a todos que voltem para casa", completou.

Nattawut e pelo menos outros três líderes dos manifestantes caminharam em seguida para o quartel-general da Polícia Nacional, onde se entregaram às forças de segurança . Momentos depois, a TV mostrou, ao vivo, quatro líderes "camisas vermelhas" sendo levados pela polícia, e um porta-voz do Exército disse que o local dos protestos estava sob controle militar e que as tropas haviam suspendido as operações.

Mas isso não impediu que os distúrbios continuassem, após seis dias de caóticas batalhas nas ruas entre manifestantes e tropas, que deixaram 41 mortos e mais de 330 feridos.

Violência continua

Minutos após a rendição dos líderes, três granadas explodiram em frente ao local do acampamento, ferindo gravemente dois soldados e um jornalista estrangeiro. Foram registrados distúrbios em cinco bairros, onde os manifestantes acenderam fogueiras e queimaram pneus. Alguns hotéis montaram barricadas de madeira.

Vários veículos de comunicação, incluindo os jornais The Bangkok Post e The Nation, esvaziaram suas redações após receberem ameaças de manifestantes descontentes com a cobertura desses jornais.

"A situação agora é pior do que a esperada, e está muito difícil de conter", disse Kavee Chukitsakem, diretor de pesquisas da corretora de valores Kasikorn Securities. "Depois de os líderes dos 'camisas vermelhas' se renderem, as coisas ficaram fora de controle. São como insetos voando de um lado para outro, causando irritação. Não sabemos quem são e por que estão fazendo isso."

Dois meses de protestos

Os manifestantes, conhecidos como "camisas vermelhas", pedem a renúncia do primeiro-ministro tailandês, Abhisit Vejjajiva. As autoridades se recusam a negociar com os manifestantes. A grande maioria dos manifestantes apoia o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, que foi deposto em 2006. Eles exigem que o atual premiê, Abhisit Vejjajiva, dissolva o Parlamento e convoque novas eleições.

Os protestos vêm ocorrendo desde março, mas a violência voltou a aumentar na quinta-feira desta semana, quando um general que participava do movimento de oposição foi morto com um tiro na cabeça.

O primeiro-ministro chegou a oferecer novas eleições para novembro, mas os dois lados não conseguiram chegar a um acordo. Esta é a pior crise política em quase duas décadas na Tailândia. Até o momento, ao menos 65 pessoas morreram e cerca de 2 mil ficaram feridas nos confrontos.

* Com AFP, BBC Brasil e Reuters

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