Tailândia extradita suposto traficante de armas para os EUA

Conhecido como "mercador da morte", Viktor Bout é levado para território americano em ação que Rússia considera "ilegal"

iG São Paulo |

A Tailândia extraditou nesta terça-feira para os EUA o russo Viktor Bout, 43 anos, acusado pelo governo americano de ser um dos maiores traficantes de armas do mundo. Preso em Bangcoc em 2008, em uma operação conjunta entre EUA e Tailândia, Bout tentava evitar a extradição com a ajuda do governo russo, que considerou a ação tailandesa "ilegal".

"A extradição ilegal de V.A. Bout foi resultado de pressão política sem precedentes dos Estados Unidos", afirmou o Ministério de Relações Exteriores russo, em comunicado. "É profundamente lamentável que as autoridades tailandesas tenham cedido à pressão política do exterior e realizado essa extradição ilegal", disse o ministério, acrescentando que a Rússia continuará dando apoio a Bout.

© AP
Viktor Bout chega a aeroporto em Bangcoc, de onde partiu para os EUA

A chancelaria russa vinha dizendo que a extradição poderia abalar as relações entre Moscou e Washington. A Justiça tailandesa já havia autorizado a medida, mas o Poder Executivo poderia barrá-la se entendesse que isso seria nocivo para as relações internacionais.

Um advogado de Bout disse que a extradição foi uma violação das garantias processuais, já que o acusado aguardava um novo julgamento na Tailândia. Bout declarou no passado que as acusações contra ele são uma "fantasia norte-americana" e insistia ser um empresário inocente. Suas finanças e deslocamentos eram alvo de várias sanções dos EUA e da ONU.

Uma autoridade tailandesa disse que a extradição de Bout não deve abalar as relações do seu país com a Rússia. "É um dilema político para a Tailândia, mas devemos nos ater ao devido processo judicial", disse Thawil Pliensee, secretário-geral do Conselho Nacional de Segurança do país. "Acho que a Rússia irá entender."

Ex-agente

Bout foi apelidado no ocidente de "mercador da morte". O filme "Senhor das Armas", estrelado por Nicolas Cage em 2005, foi parcialmente inspirado na trajetória do empresário russo. Supostamente atuando há mais de 15 anos como vendedor de armamento pesado, Bout teria envolvimento em alguns dos piores conflitos da história mundial recente. Ele é suspeito de ter fornecido armas para líderes polêmicos como Charles Taylor, ex-presidente da Libéria, e Muamar Khadafi, da Líbia, além de ter abastecido diversos grupos guerrilheiros na América Latina e no sul do continente africano.

Acredita-se que Bout teria sido agente da inteligência russa no passado e que poderia comprometer os interesses de Moscou caso venha a fechar algum acordo de delação premiada com a Justiça americana. Especula-se que, nesse caso, Bout poderia expor a participação de setores dentro do Exército russo no comércio internacional ilegal de armas.

Captura

Na captura de Bout, em março de 2008, agentes americanos se fizeram passar por militantes da guerrilha colombiana FARC interessados em comprar armamentos para atacar americanos. Os agentes disfarçados se encontraram com Bout em um hotel de luxo de Bancoc e gravaram o russo negociando a venda.

Moscou apoia Bout e nega que ele seja um traficante de armas. Segundo o Kremlin, o russo é um negociante honesto, que teria feito fortuna com uma companhia de transporte de cargas. A esposa de Bout afirma que ele estava em Bancoc em 2008 para participar de um curso de culinária tailandesa.

Com Reuters e BBC

    Leia tudo sobre: rússiaeuatailândiaviktor boutarmastráfico

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG