Tailândia enfrenta irritação popular por cheias na periferia de Bangcoc

Habitantes de bairros no norte e oeste dizem que suas casas foram sacrificadas para salvar o centro da capital tailandesa

AFP |

As autoridades na capital tailandesa, Bangcoc, reiteraram nesta terça-feira que não podiam aliviar a crise provocada pelas inundações para todos na cidade, em meio ao aumento da irritação e frustração populares nas regiões inundadas por causa da falta de ajuda oficial.

AP
Tailandeses caminham em ruas inundadas no distrito de Don Muang em Bangcoc, Tailândia
Embora algumas regiões da capital se mantenham secas, a situação é crítica em ao menos 15 bairros periféridos no norte e oeste, onde vizinhos protestam energicamente que suas casas foram sacrificadas para salvar as zonas centrais da cidade .

Leia também: Barreiras protegem centro de Bangcoc de enchentes, mas não periferia

As piores inundações na Tailândia em 50 anos, iniciadas em julho por chuvas pesadas da temporada de monções, deixaram 384 mortos, mais de 2 milhões de desabrigados e obrigaram mais de 150 mil a se refugiar em abrigos improvisados em várias províncias do leste e oeste de Bangcoc.

A primeira-ministra tailandesa, Yingluck Shinawatra , e as autoridades locais de Bangcoc mantiveram disputas públicas sobre a quantidade de água que deveria ser canalizada por meio de comportas em direção ao norte da capital para aliviar a pressão nas comunidades inundadas.

Em vários casos, grupos descontentes pelo constante aumento do nível de água desafiaram as forças de segurança e destruíram parte dos diques de proteção erguidos para evitar que a água alague o coração financeiro e comercial da metrópole, onde a situação é quase de absoluta normalidade.

O último incidente, que começou quando a água chegou ao perímetro de Bangcoc após inundar as províncias vizinhas, ocorreu na segunda-feira no distrito de Khlong Sam Wa, onde milhares de moradores, alguns carregando pás, destruíram um dos diques. Por causa disso, as barrerias agora estão sob proteção do Exército.

Por causa desse episódio, a premiê tailandesa cedeu às demandas dos manifestantes e ordenou que uma comporta de Khlong Sam Wa fosse elevada em um metro para permitir a passagem de água e aliviar a região vizinha.

No entanto, o governador de Bangcoc, Sukhumbhand Paribatra, advertiu nesta terça-feira que essa decisão pode deixar outras áreas da cidade, incluindo a zona industrial, sob risco de sofrer novas inundações, caso outras comportas mais ao norte não sejam completamente fechadas. "Não vamos permitir que se imponha a lei da rua", indicou Paribatra, membro do opositor Partido Democrata e quem desaprovou algumas ações do governo central para evitar a inundação da capital.

O governador acrescentou que, embora compreenda a luta dos vizinhos contra as águas, deve considerar o contexto geral e manter seco o coração econômico e político da cidade. "Às vezes tenho de ser duro com as demandas da minoria em benefício da maioria", disse o governador.

O centro de Bangcoc ficou quase completamente a salvo de uma enorme inundação depois que foram instaladas barreiras ao longo do rio Chao Phraya, que permitiram evitar um transbordamento da água durante a maré alta da primavera, no último fim de semana.

Mas em distritos como em Bang Phlat, a apenas 5 km do centro Bangcoc, algumas casas ficaram seriamente danificadas, e as ruas se converteram em canais de água suja, sem que existam previsões de ajuda oficial.

"Quero que o governo venha nos ajudar. Pedimos ajuda, mas ninguém veio. Pedimos botes, comida, remédios, mas não veio nada", disse Pailin Sontana, de 58 anos, enquanto caminhava submerso até a cintura em uma espessa água de cor marrom.

Jate Sopitpongstorn, porta-voz da Administração Metropolitana de Bangcoc (BMA), disse que foram incapazes de ajudar a todos porque diversos vizinhos "negaram-se a deixar suas casas para ficar em nossos refúgios". "Temos um número limitado de veículos e botes das Forças Armadas e não podemos chegar a cada rua para distribuir comida e água três vezes ao dia", disse.

Na segunda-feira, a premiê, cuja experiência política se restringe aos quase quatro meses que está no poder, declarou superado o risco de que a água inunde o centro de Bangcoc. Segundo ela, há razões para o otimismo. Se não surgirem novos problemas nos próximos dez dias, a maior parte do enorme volume de água que chega a Bangcoc, cidade a 20 quilômetros ao norte da foz do rio Chao Phraya, terá ido para o mar do golfo da Tailândia.

As autoridades planejam drenar nesse período os 5,5 bilhões de metros cúbicos de água dos diques no perímetro da metrópole, onde vivem 12 milhões de habitantes. Durante os três meses de persistentes inundações, 1,6 milhão de hectares ficaram submersos. Para a reabilitação, estima-se que sejam necessários US$ 30 bilhões.

*Com AFP e EFE

    Leia tudo sobre: tailândiaenchenteinundaçõeschuva de monçãobagcoc

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG