Tailândia emite ordem de prisão contra ex-premiê

Governo do país afirma que Thaksin Shinawatra incitou protestos violentos para derrubar atual premiê

AFP |

Um tribunal tailandês emitiu nesta terça-feira uma ordem de prisão por terrorismo contra o ex-primeiro-ministro no exílio, Thaksin Shinawatra, depois dos distúrbios que atingiram nas últimas semanas o país e deixaram cerca de cem mortos.

"Um tribunal aprovou o pedido do Departamento de Investigações especiais (DSI) de emitir um mandato de detenção por terrorismo", indicou Naras Savestanan, chefe adjunto do DSI. Savestanan afirmou que existem provas suficientes para que Thaksin seja preso.

A ordem tinha sido solicitada ao Tribunal Penal de Bangcoc pelo DSI, que tinha apresentado como prova um vídeo no qual supostamente Shinawatra encorajava seus seguidores a cometer atos violentos.

AP
Militar observa cartaz usado no centro de Bangcoc por manifestantes no com foto do ex-premie Shinawatra

Ex-premiê rejeita acusações

Shinawatra reagiu imediatamente à notícia acusando as autoridades de seu país de violação dos direitos humanos na dispersão dos manifestantes do centro de Bangcoc. O empresário recordou ainda a repressã pelo exército em 1976 de um movmento de estudantes pró-democracia em Bangcoc, que deixou dezenas de mortos.

"Em 2010, aconteceu de novo. Mas, dessa vez, os manifestantes pró-democracia são camponeses e o govero atual, apoiado pelos militares, os chama de terroristas", declarou Thaksin. "A junta da Tailândia deve ser considerada responsável por estas mortes e violações dos direitos humanos", acrescentou.

Protestos violentos

Recentemente, o ex-chefe de governo (2001-2006) desmentiu ser "cérebro dos terroristas" e ter bloqueado as negociações entre o governo e os "camisas vermelhas", grupo de manifestantes de oposição que acampou no centro de Bangcoc por mais de dois meses. A violência registrada no país nesse período deixou 88 mortos e 1.900 feridos.

Ícone para inúmeros "camisas vermelhas", Thaksin foi derrubado em 2006 por um golpe de Estado militar. Desde então, vive no exílio para escapar de uma condenação a dois anos de prisão por corrupção.

As autoridades tailandesas também decidiram prolongar por mais quatro noites o toque de recolher decretado em Bangcoc e 23 províncias.

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